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O quê o debate da Band mostrou?

Ciro Gomes e Elmano de Freitas na Band
Foto: Band

 

O primeiro debate entre Elmano de Freitas e Ciro Gomes deixou uma constatação interessante: o candidato mais experiente não foi necessariamente o mais preparado para aquele debate.

Ciro tem mais de quatro décadas de vida pública, já foi governador, ministro e disputou quatro eleições presidenciais. Era natural, portanto, esperar dele maior domínio do ambiente. Elmano chegava ao confronto com uma desvantagem evidente: a experiência do adversário.

Mas, no domingo, a experiência não apareceu necessariamente como vantagem.

No primeiro bloco, com temas como saúde e segurança pública, Elmano demonstrou algum nervosismo, mas não permitiu que Ciro tomasse conta da discussão. Quando Ciro apresentou números, Elmano respondeu com outros números. Quando o adversário falou sobre o avanço das facções, o governador reconheceu o problema, mas contrapôs com os índices de redução da violência no Estado.

Era exatamente o que Elmano precisava fazer. Não precisava convencer ninguém de que o Ceará não tem problemas. Precisava impedir que Ciro transformasse os problemas do Estado em um julgamento sobre seu governo.

No segundo bloco, sobre investimentos, Ciro teve desempenho melhor, principalmente pela postura e pela segurança na condução das respostas.

E talvez esteja aí uma das ironias do debate: Ciro parecia mais à vontade, mas Elmano parecia saber melhor onde queria chegar.

Nos quatro blocos, o governador levou vantagem em três, enquanto Ciro se destacou em um. O placar não é uma pesquisa eleitoral, mas ajuda a entender a dinâmica do confronto.

Ciro teve dificuldade para sintetizar suas ideias no tempo disponível. Elmano, ao contrário, apresentou respostas mais objetivas e parecia saber exatamente qual mensagem precisava entregar.

Há ainda um detalhe aparentemente pequeno. Nas considerações finais, Elmano aproveitou para desejar feliz Dia dos Pais. Pode parecer irrelevante diante de segurança, saúde e investimentos. Mas debate também é preparação, atenção ao contexto e capacidade de perceber o ambiente.

Não se ganha uma eleição por desejar feliz Dia dos Pais. Mas, em um debate decidido em detalhes, os detalhes também contam.

No fim, a surpresa da noite foi justamente essa. Esperava-se que Ciro, calejado por décadas de disputas eleitorais, controlasse melhor o palco. Não foi o que aconteceu.

Ciro foi mais agressivo em alguns momentos e encontrou terreno favorável na segurança pública. Mas Elmano foi mais regular, respondeu aos ataques e evitou que o debate se transformasse em um julgamento exclusivo sobre a gestão.

O resultado, portanto, não está apenas no 3 a 1 dos blocos. Está na capacidade de cada candidato executar sua estratégia.

Ciro precisava mostrar que existe uma alternativa ao governo. Elmano precisava mostrar que os problemas apontados pelo adversário não anulam os resultados de sua administração.

No primeiro debate, pelo menos, Elmano parece ter entendido melhor a prova que precisava fazer.

E fica um primeiro aviso para a campanha: para vencer Elmano, não basta atacar o governo. É preciso também impedir que o governador responda.

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