
O número de mulheres que afirmam terem sido vítimas de assédio diminuiu. Porém, o questionamento que fica é se esse índice deve ser comemorado como um avanço. Segundo a pesquisa “Viver nas Cidades: Mulheres”, 71% das entrevistadas no levantamento afirmam terem sido vítimas desse tipo de crime. Esse dado apresenta uma queda de, mas há de se considerar que o comparativo é com um estudo realizado em 2014 (74%), doze anos anos antes da atual pesquisa.
Essa estatística significa dizer que sete em cada dez mulheres brasileiras foram vítimas de assédio moral ou sexual. O levantamento ouviu 3,5 mil pessoas em dezembro de 2025 em dez capitais do Brasil: Belém, Belo Horizonte, Fortaleza, Goiânia, Manaus, Porto Alegre, Recife, Rio de Janeiro, Salvador e São Paulo. Entre as 2.066 mulheres entrevistadas, 71% disseram já ter sofrido assédio em pelo menos um ambiente, o que reforça a dimensão do problema nas principais cidades país;
Segundo os dados, ruas, praças e outros espaços públicos aparecem como os locais mais citados como cenário do cometimento do crime, com 54% das mulheres relatando situações de assédio nesses ambientes. Em seguida surge o transporte público, mencionado por 50% das entrevistadas.
No total, 36% relataram que sua experiência negativa ocorreu no ambiente de trabalho. Também foram registrados casos em bares e casas noturnas (32%), ambiente familiar (26%) e transportes particulares, como táxis ou aplicativos (19%).
Assédio, violência contra a mulher e insegurança
Durante a apresentação do estudo, a diretora de opinião pública do Inteligência em Pesquisa e Consultoria Estratégica, Patrícia Pavanelli, destacou que o problema continua sendo recorrente nas cidades brasileiras. Segundo a especialista, a insegurança é uma regra na vida das mulheres, e não uma exceção.
“Uma parcela significativa das mulheres ainda relata experiências de assédio ao longo da vida. Os espaços públicos e o transporte coletivo seguem entre os ambientes mais hostis, o que acaba limitando a circulação e o direito das mulheres à cidade. Mesmo com pequena redução em comparação a levantamentos anteriores, o percentual atual continua elevado. Em algumas capitais, os números são ainda mais altos”, destacou.
Entre as cidades pesquisadas, Porto Alegre registra 82% de mulheres que afirmam ter sofrido assédio. A capital do Rio Grande do Sul é seguida por Belém, que aparece com 79%. Já Fortaleza e Salvador apresentam os menores percentuais entre as cidades pesquisadas, com 68%.
Outro dado que chama atenção é que 5% das mulheres afirmaram já ter sofrido assédio em todos os ambientes analisados, desde espaços públicos até locais de trabalho ou convivência familiar.
Para os pesquisadores, os resultados evidenciam que o assédio permanece como um problema estrutural nas cidades brasileiras, exigindo políticas públicas voltadas à segurança, prevenção e proteção das mulheres.
Combate à violência contra a mulher no Ceará
O Ceará tem ampliado nos últimos anos uma rede de políticas públicas voltadas à prevenção do assédio e da violência contra a mulher. Entre as principais iniciativas está a expansão de equipamentos especializados de atendimento, como a Casa da Mulher Brasileira, delegacias de defesa da mulher e centros de referência, que oferecem apoio psicológico, social e jurídico.
O Governo do Estado também tem ampliado a chamada rede de proteção com Casas da Mulher Cearense, Salas Lilás e patrulhas especializadas da Lei Maria da Penha, estruturas voltadas ao acolhimento e ao acompanhamento de mulheres em situação de violência. O objetivo é garantir atendimento integrado e fortalecer a presença do poder público em diferentes regiões do estado.
Além da rede de atendimento, o Ceará também investe em ações de prevenção e conscientização. Entre elas está a Lei Diana Pitaguary, que promove atividades educativas em escolas indígenas sobre violência de gênero, feminicídio e importunação sexual, ampliando o debate sobre o tema nas comunidades.
Parlamento
Outro instrumento que atua na causa é o Observatório da Mulher Cearense, ligado à Assembleia Legislativa. A iniciativa é responsável por reunir dados e estatísticas sobre violência de gênero e subsidiar políticas públicas. Campanhas de conscientização, formações para profissionais da rede de atendimento e ações educativas em escolas e comunidades também fazem parte das estratégias de prevenção.
Ao longo do mês de março, marcado pelo Dia Internacional da Mulher, a Assembleia Legislativa do Ceará vai protagonizar uma série de ações para ampliar a prevenção à violência e fortalecer a rede de apoio e acolhimento. A programação do mês da mulher na Casa do Povo cearense promete incluir debates, audiências públicas e atividades com foco na promoção dos direitos.
Essas ações devem começar na própria Alece. Na última semana, servidoras da Assembleia tiveram um momento com a primeira-dama da Casa, Tainah Marinho Aldigueri. De acordo com a primeira-dama, o objetivo foi detalhar a programação na parte interna, para que as agentes envolvidas na programação especial estejam inteiradas daquilo que será trabalhado também para o público externo nos diversos eixos temáticos escolhidos neste mês de homenagens e serviços para as mulheres do Ceará.
“Hoje, com nossas servidoras, tivemos esse momento especial para celebrar o nosso calendário do mês de março, que vai ser recheado de eventos para reconhecermos as histórias e as lutas dessas mulheres. Ao mesmo tempo, reforçamos o compromisso da Assembleia Legislativa que não se resume apenas ao mês de março, pois ele é permanente”, destacou.
Apesar dos avanços, os dados mostram que a violência contra a mulher ainda é um desafio no estado. Um total de 68% das mulheres cearenses consideram o Brasil um país muito machista, enquanto 76% avaliam que a violência doméstica aumentou nos últimos anos.


