
A Área de Proteção Ambiental (APA) da Chapada do Araripe registrou a supressão de 5.965 hectares de vegetação ao longo de 2024, segundo dados do Relatório Anual de Desmatamento (RAD) do MapBiomas. Com esse número, a unidade localizada na região do Cariri cearense figura como a terceira área de conservação mais desmatada do Brasil no período analisado.
Apesar de o país ter apresentado redução nos índices gerais de desmatamento, a APA do Araripe manteve patamares elevados de perda vegetal, praticamente repetindo os números do ano anterior. O cenário acende um alerta para os riscos ambientais em uma das áreas mais importantes do Nordeste em termos de biodiversidade e recursos naturais.
A APA Araripe é uma unidade de conservação federal de uso sustentável. Esse modelo permite a coexistência entre preservação ambiental e atividades econômicas, como agricultura, pecuária e empreendimentos industriais, desde que respeitados critérios legais. No entanto, especialistas apontam que a intensificação dessas atividades, especialmente a expansão do agronegócio, tem pressionado de forma significativa o território.
De acordo com o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), a perda de cobertura vegetal compromete diretamente a fauna, a flora e os recursos hídricos da Chapada do Araripe, considerada um importante brejo de altitude em meio ao semiárido nordestino. A área exerce papel fundamental na regulação do clima, na recarga de aquíferos e no abastecimento de água para diversos municípios do Cariri.
Além do desmatamento, queimadas recorrentes e práticas inadequadas de uso do solo agravam a degradação ambiental. Ambientalistas alertam que a continuidade desse processo pode gerar impactos irreversíveis, afetando tanto o equilíbrio ecológico quanto a qualidade de vida das populações que dependem dos serviços ambientais da chapada.
Os dados reforçam a necessidade de intensificação da fiscalização, do cumprimento dos planos de manejo e do fortalecimento de ações de educação ambiental, buscando conciliar desenvolvimento econômico com a preservação de um dos principais patrimônios naturais do Ceará.


