
Um levantamento da Polícia Rodoviária Federal (PRF), realizado recentemente, indica que o excesso de velocidade foi a infração de trânsito mais contabilizada nas rodovias federais do Ceará em 2025. Ao longo do período, foram efetuadas mais de 130 mil autuações por diversas irregularidades nas BRs do estado, sendo que aproximadamente um terço desse total esteve ligado ao descumprimento dos limites de velocidade, prática que eleva consideravelmente a gravidade dos acidentes e o risco de vítimas.
Do total de 130.897 autuações registradas, 44.380 flagrantes corresponderam ao excesso de velocidade, o equivalente a 33,9% das ocorrências. Na prática, isso representa que um a cada três registros esteve associado a essa infração, conduta que diminui o tempo de resposta do motorista e contribui diretamente para sinistrospOL de trânsito mais severos.
Velocidade e ultrapassagens: combinação de alto risco
Outro dado que chama a atenção no levantamento é a quantidade de ultrapassagens em trechos proibidos. Em 2025, foram contabilizadas 5.539 autuações desse tipo nas rodovias federais do Ceará. A manobra é considerada uma das mais arriscadas no trânsito, sobretudo em segmentos de pista simples. Em muitos casos, o excesso de velocidade é utilizado durante a ultrapassagem, fator que amplia o perigo e contribui para a gravidade das colisões, especialmente as frontais.
Segundo o superintendente da PRF no Ceará, Anthony Lima, o comportamento dos condutores está diretamente relacionado à gravidade dos acidentes registrados.
“O excesso de velocidade e as ultrapassagens proibidas estão entre as infrações que mais colocam vidas em risco nas rodovias federais. Quando o condutor dirige acima do limite permitido, ele reduz drasticamente o tempo de reação e aumenta a gravidade das consequências em caso de sinistro. Esse risco se torna ainda maior quando a velocidade é combinada com manobras proibidas, como ultrapassagens em locais inadequados, que frequentemente resultam em colisões frontais, o tipo de acidente mais letal”, destacou.
Os dados gerais de sinistros de trânsito analisados indicam até uma redução no número de mortes, mas ainda apontam um cenário que exige cautela. Em 2025, foram registradas 171 mortes nas BRs cearenses, frente a 185 em 2024. Apesar da diminuição, os registros mostram que 63 dessas mortes ocorreram em colisões frontais, tipo de sinistro frequentemente associado a ultrapassagens irregulares. As demais mortes decorreram de outros tipos de acidentes, como atropelamentos de pedestres, colisões traseiras e transversais, saídas de pista, entre outros.
Além das infrações relacionadas à velocidade e às ultrapassagens proibidas, o levantamento também destaca outras condutas que impactam diretamente a segurança viária. O tráfego de veículos sem licenciamento resultou em 6.911 autuações, enquanto a condução de veículos com equipamentos obrigatórios em desacordo com a legislação somou 6.100 registros. Também foram computadas 2.803 autuações por não uso de capacete, 1.706 por ausência do cinto de segurança e 521 autuações relacionadas à alcoolemia, sendo 446 por recusa ao teste. O não uso do dispositivo de retenção infantil gerou 250 autuações ao longo do ano.
A fiscalização nas rodovias federais faz parte de um trabalho contínuo desenvolvido pela Polícia Rodoviária Federal, que combina ações preventivas, educativas e de fiscalização com foco na preservação de vidas. O enfrentamento à violência no trânsito, no entanto, também depende da participação ativa da sociedade. O respeito aos limites de velocidade, às normas de ultrapassagem e às demais regras de circulação é essencial para a redução dos sinistros graves e para a construção de um trânsito mais seguro nas rodovias federais do Ceará.


