No Ceará, os Correios operam atualmente com 538 agências de atendimento e um quadro aproximado de 2,4 mil trabalhadores, entre empregados efetivos e terceirizados. Esse cenário local passa a ser observado após o anúncio do plano de reestruturação da estatal, que prevê a captação de pelo menos R$ 12 bilhões em empréstimos para a estabilização financeira da empresa.
A estratégia divulgada pela companhia inclui a possibilidade de implantação de um Programa de Demissão Voluntária (PDV) e o fechamento de unidades em todo o país. Segundo a estatal, as medidas também contemplam investimentos na modernização do sistema de entregas e da estrutura logística.
Em se tratando do fechamento de agências, a venda de ativos e os detalhes do PDV no Ceará, os Correios informaram que ainda estão finalizando estudos para reorganização das unidades e do efetivo. A empresa declarou que as análises seguem critérios técnicos e mantêm como premissa a garantia do atendimento e a universalização dos serviços postais. Atualmente, a estatal realiza cerca de duas milhões de entregas por mês no Ceará.

Quanto à situação financeira, os Correios informaram que os R$ 12 bilhões em financiamentos fazem parte de uma estratégia de estabilização emergencial. Com prejuízos acumulados, o patrimônio líquido negativo supera R$ 10,4 bilhões.
Do montante total, R$ 9 bilhões já foram liberados por meio de empréstimos concedidos pela Caixa Econômica Federal, Banco do Brasil e Bradesco. A parcela restante, de R$ 3 bilhões, deve ser disponibilizada até 30 de janeiro por meio de financiamentos do Itaú Unibanco e do Santander.
Além dos empréstimos bancários, a empresa prevê arrecadar cerca de R$ 1,5 bilhão com a alienação de imóveis sem uso operacional. Essas ações integram a primeira fase do Plano de Reestruturação. Na etapa seguinte, está prevista a abertura do Programa de Demissão Voluntária ainda em janeiro. A expectativa informada pela estatal é de adesão de até 15 mil empregados até o próximo ano, com estimativa de economia anual de R$ 2,1 bilhões e efeitos financeiros mais evidentes a partir de 2028.
Também faz parte do plano a redução da rede de atendimento, com a desativação de cerca de 20% dos cinco mil pontos existentes no país, o equivalente a cerca de mil unidades. A revisão de cargos de média e alta remuneração, além de ajustes nos planos de saúde e previdência, está estimada em uma economia adicional de R$ 700 milhões aos cofres da empresa.
Por fim, o plano prevê a contratação de uma consultoria externa para avaliar a formação de novas sociedades. Os Correios informaram que não consideram a privatização, mas admitem parcerias com o setor privado em um modelo híbrido.
Entre 2027 e 2030, a estatal planeja captar R$ 4,4 bilhões junto ao Novo Banco de Desenvolvimento (NDB/Brics). Os recursos devem ser destinados à automação de centros de tratamento, renovação e descarbonização da frota, modernização da infraestrutura de tecnologia da informação e redesenho da malha logística.
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