O percentual de famílias brasileiras endividadas atingiu 78,9% em dezembro de 2025, o maior nível já registrado para um mês de dezembro, segundo a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic). Os dados foram divulgados nesta terça-feira (14/01) pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). O índice representa uma alta de 2,3 pontos percentuais em relação a dezembro de 2024.
A inadimplência também apresentou crescimento na comparação anual. Em dezembro de 2025, 29,4% das famílias relataram ter contas em atraso, percentual superior ao registrado no mesmo mês do ano anterior. Na comparação mensal, houve recuo tanto do endividamento quanto da inadimplência em relação aos meses anteriores.
Após alcançar 79,5% em outubro, o maior percentual da série histórica, o endividamento das famílias recuou gradualmente e fechou dezembro no menor nível desde julho. O indicador de inadimplência seguiu a mesma tendência, encerrando o ano em 29,4%, o menor patamar desde abril, quando havia registrado 29,1%. Em outubro, o índice de contas em atraso havia atingido 30,5%.

O prazo médio das dívidas das famílias foi de 7,1 meses em dezembro de 2025, abaixo dos 7,4 meses observados no mesmo período de 2024. Ao longo de 2025, a Peic identificou maior seletividade na concessão de crédito, associada ao aumento da inadimplência no segundo semestre.
Com a redução mensal do endividamento sendo observada em todas as faixas de renda, o maior recuo ocorreu entre as famílias com rendimento acima de dez salários mínimos. Em relação à inadimplência, a maior queda foi registrada entre os lares com renda de três a cinco salários mínimos, passando de 28,4% em novembro para 26,8% em dezembro. Na comparação anual, o índice desse grupo também caiu de 28,1% para 26,8%.
O cartão de crédito permaneceu como a principal modalidade de endividamento das famílias brasileiras, atingindo 85,1% dos endividados em 2025, aumento de 1,3 ponto percentual em relação ao ano anterior. A taxa média de juros dessa modalidade foi estimada em 90,1% ao ano.
O percentual de famílias que declararam não ter condições de pagar suas dívidas recuou para 12,6% em dezembro de 2025, ficando abaixo do registrado no fim de 2024. A parcela média da renda comprometida com dívidas ficou em 29,5% no último mês do ano, inferior aos 29,8% observados em dezembro de 2024.
Acompanhe mais notícias da Rede ANC através do Instagram, Spotify ou da Rádio ANC.


