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Fila de adoção no Ceará reúne 1.080 pretendentes em 90 comarcas

O Ceará iniciou 2026 com 1.080 pretendentes cadastrados na fila de adoção em 90 das 184 comarcas do estado, enquanto 949 crianças e adolescentes permanecem institucionalizados. Os dados constam em levantamento apresentado pelo promotor da Infância e Juventude Dairton Oliveira, que coordena o projeto Promotores Acadêmicos. Segundo ele, o número de interessados representa cerca de 2 mil pessoas diretamente envolvidas e aproximadamente 5 mil de forma indireta no processo de espera por uma adoção.

Em comparação com janeiro de 2025, quando havia 1.034 pretendentes, o total registrado neste início de ano aponta crescimento de cerca de 5%. A capital cearense concentra o maior número de inscrições, com 408 famílias cadastradas no Sistema Nacional de Adoção (SNA). Na sequência aparecem Caucaia, com 60 famílias, Juazeiro do Norte, com 53, Sobral, com 41, Eusébio, com 24, e Itaitinga, com 23. Há ainda 12 municípios com apenas um pretendente inscrito. Entre as cidades fora da Região Metropolitana, Tianguá lidera, com 38 pedidos de adoção.

O levantamento aponta que, em diversas comarcas, não houve adoções realizadas por meio da fila oficial do SNA ao longo de 2025, embora tenham ocorrido adoções fora do sistema. Em Fortaleza, o ano terminou com apenas 76 movimentações de adoção pela fila oficial. O primeiro pretendente atualmente ativo ingressou no cadastro em fevereiro de 2019, enquanto o mais recente entrou em dezembro de 2025.

Foto: Reprodução

Entre as crianças e adolescentes acolhidos, os bebês representam parcela significativa. Do total de 949 acolhidos, 75 têm menos de um ano de idade e outros 54 têm um ano. Na faixa etária de 2 a 7 anos, considerada a chamada janela adotiva, estão mais 260 crianças, grupo que concentra o maior número de pretendentes interessados.

O tempo médio de espera para adoção pela fila estadual chega a sete anos e dois meses. Parte dessa redução ocorre a cada três anos, com a exigência legal de renovação do cadastro. Em 2025, por exemplo, dos 253 pretendentes que haviam ingressado na fila em 2022 e ainda permaneciam cadastrados, apenas 75 seguiram após o processo de renovação. Entre os inscritos de 2021, 76 de um total de 286 continuaram ativos após a atualização obrigatória.

O levantamento também registra desistências ao longo da espera. O pretendente mais antigo do estado entrou na fila em Iguatu, em fevereiro de 2018, e desistiu após quase oito anos de cadastro, mesmo tendo sido contatado para uma possível vinculação. Situação semelhante foi registrada em municípios como Crato, Caucaia, Crateús e Limoeiro do Norte, onde famílias aguardam desde antes de outubro de 2018 sem terem sido chamadas para vinculação compatível com o perfil desejado.

Como alternativa para acelerar o processo e reduzir a institucionalização, tem sido aplicada a Antecipação de Tutela Adotiva, mecanismo que permite a vinculação provisória de pretendentes a crianças que ainda estão em processo de destituição do poder familiar. A prática tem ampliado as possibilidades de adoção e contribuído para diminuir irregularidades no sistema, especialmente em comarcas do interior, onde ainda não há registro de pretendentes em grande parte do estado.

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