
O cultivo do algodão volta a ganhar espaço no interior do Ceará. Um programa estadual lançado neste começo de ano prevê o plantio da cultura em aproximadamente 5 mil hectares, distribuídos em 20 municípios, com prioridade para regiões de clima mais seco e tradição agrícola.
O plantio está previsto para ocorrer entre fevereiro e o início de março, com colheita estimada para os meses de julho e agosto.
A iniciativa integra o Programa Estadual de Fortalecimento e Revitalização da Cotonicultura, que aposta na distribuição de sementes adaptadas às condições do semiárido e no acompanhamento técnico da produção. A expectativa é alcançar produtividade média de 2 mil quilos por hectare, o que pode resultar em uma produção estimada de até 10 mil toneladas de algodão nesta primeira etapa. O programa tem como público-alvo municípios com histórico ou potencial para a cultura, incluindo cidades da região dos Inhamuns e outros polos do interior cearense.
A proposta é retomar uma atividade que já teve relevância na economia do Estado, especialmente no Interior, mas que perdeu espaço ao longo das últimas décadas. Diferentemente de modelos baseados no repasse direto de recursos, a ação é estruturada a partir da transferência de tecnologia, do uso de sementes desenvolvidas para áreas com restrição hídrica e do suporte técnico durante todo o ciclo produtivo.
A produção das sementes utilizadas no programa foi realizada pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa). Além da etapa agrícola, o programa busca integrar o cultivo do algodão à cadeia produtiva já existente no Ceará. A Santana Textiles participa como parceira, articulando a absorção de parte da matéria-prima produzida no Estado, conectando a produção rural à indústria têxtil local. A expectativa do governo é que a retomada do algodão contribua para diversificar a base produtiva do interior, com geração de renda no campo e fornecimento de insumos para a indústria.
Conforme a Secretaria do Desenvolvimento Econômico (SDE), há previsão de expansão do programa a partir de 2027, com ampliação da área plantada e adesão de novos municípios. O cadastro de cidades interessadas em integrar o Programa Estadual de Fortalecimento e Revitalização da Cotonicultura pode ser feito de forma eletrônica, por meio do site oficial da Secretaria do Desenvolvimento Econômico.


