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Tecnologia da UFC ajuda a prevenir cegueira causada pelo diabetes

Pesquisadores da Universidade Federal do Ceará (UFC) desenvolveram um algoritmo capaz de identificar precocemente a retinopatia diabética, uma das principais causas de cegueira no mundo. A tecnologia combina conhecimentos de medicina, matemática e inteligência artificial, e promete tornar o diagnóstico mais preciso e acessível.

O diferencial do estudo está no uso do Diagrama de Voronoi, uma ferramenta matemática que analisa a forma como pequenas lesões vasculares, chamadas microaneurismas, se distribuem na retina. Esses microaneurismas são os primeiros sinais da doença e a análise do padrão espacial permite aumentar a precisão da identificação feita pelo computador.

Tecnologia da UFC ajuda a prevenir cegueira causada pelo diabetes
Foto: Viktor Braga/UFC

A técnica foi integrada a métodos de aprendizado de máquina, resultando no sistema VDRAN (Voronoi-based Diabetic Retinopathy Analysis). Testado em 800 imagens de retina, o algoritmo apresentou alto desempenho, com resultados comparáveis aos de sistemas avançados de inteligência artificial, mas exigindo menor capacidade computacional.

Pesquisa

O estudo foi desenvolvido durante o doutorado de Mac Gayver da Silva Castro, concluído em 2024 na UFC, sob orientação da professora Conceição Aparecida Dornelas. Os resultados foram publicados na revista científica Scientific Reports, do grupo Nature, e o pedido de patente da tecnologia já foi protocolado no Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI).

Ainda em fase de protótipo acadêmico, o sistema não está em uso clínico, mas os pesquisadores trabalham para transformá-lo em uma ferramenta operacional. A expectativa é que a tecnologia seja aplicada, inicialmente, no rastreamento em larga escala de pacientes com diabetes e, futuramente, integrada a programas de telemedicina.

Tecnologia da UFC ajuda a prevenir cegueira causada pelo diabetes
Demonstração do sistema analisando uma imagem original de retinografia (Figura A), finalizando com a identificação dos microaneurismas isolados (Figura F) (Imagem: Scientific Reports)

O estudo desenvolvido por Mac Gayver também é assinado por Francisco Vagnaldo Fechine Jamacaru, Manoel Odorico de Moraes Filho, Paulo Roberto Leitão de Vasconcelos e Conceição Aparecida Dornelas, pesquisadores vinculados à Faculdade de Medicina da UFC, ao Núcleo de Pesquisa e Desenvolvimento de Medicamentos (NPDM) e ao Programa de Pós-Graduação em Ciências Médico-Cirúrgicas.

Funcionamento

Uma das principais vantagens do algoritmo é o baixo custo computacional. O processamento pode ser feito em computadores comuns, o que facilita a adoção em unidades de saúde com poucos recursos. Para funcionar, são necessários apenas uma câmera de retina e acesso à internet.

Os pesquisadores destacam que a ferramenta não substitui o oftalmologista, mas atua como apoio, ajudando a identificar quais pacientes precisam de avaliação especializada. Além da retinopatia diabética, o método pode ser adaptado para auxiliar no diagnóstico de outras doenças que apresentam padrões semelhantes de lesões, como alguns tipos de câncer e infecções.

“O algoritmo faz o trabalho inicial de triagem, identifica se há sinais de retinopatia diabética e indica se o paciente precisa de consulta especializada. Isso evita deslocamentos desnecessários, reduz filas e permite que o oftalmologista concentre tempo e atenção nos casos moderados e graves, que realmente exigem intervenção rápida”, explica o pesquisador Mac Gayver.

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