Para avaliar o volume e a força das precipitações, a meteorologia utiliza o chamado índice pluviométrico, indicador que expressa a quantidade de chuva acumulada em determinado intervalo de tempo. Embora seja amplamente divulgado em previsões e alertas, o uso dos milímetros como unidade de medida ainda provoca confusão.
De acordo com o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), esse índice é calculado a partir da relação entre a área atingida e o tempo de duração da chuva, permitindo estimar tanto o volume acumulado quanto a intensidade do fenômeno. A lógica pode ser ilustrada por meio de uma simulação: um registro de dois milímetros em um dia indica que, sobre uma superfície de um metro quadrado, a água teria se acumulado até essa mesma altura.

Para obter esses dados, as estações meteorológicas distribuídas pelo país utilizam um equipamento específico, o pluviômetro, responsável por medir a precipitação. A interpretação do índice se torna mais acessível quando se esclarece que cada milímetro de água acumulado em uma área de um metro quadrado corresponde a um litro.
Dessa forma, quando se informa que choveu um milímetro em 24 horas em uma determinada localidade, isso significa que caiu um litro de água sobre cada metro quadrado da região. Na prática, esse volume seria suficiente para formar uma lâmina de água de um milímetro de altura sobre toda a superfície atingida.
A partir desse entendimento, é possível dimensionar com mais precisão episódios de chuva extrema registrados no país. O maior volume já observado ocorreu no litoral paulista, em fevereiro do ano passado, quando o município de Bertioga acumulou 680 milímetros em apenas 24 horas.
Em termos práticos, esse índice equivale a 680 litros de água despejados sobre cada metro quadrado ao longo de um dia. Em um terreno com 20 metros quadrados, o volume total chega a aproximadamente 13,6 mil litros, o que corresponde a mais de 13 caixas d’água com capacidade para mil litros.

No dia a dia, acumulados em torno de cinco milímetros por hora já caracterizam uma chuva de intensidade moderada. Em uma área de 20 metros quadrados, esse volume representa cerca de 100 litros de água por hora e, se mantido ao longo de 24 horas, resulta em aproximadamente 2,4 mil litros.
Especialistas ressaltam, entretanto, que a avaliação dos impactos não se resume ao volume registrado. Em áreas urbanizadas, os efeitos tendem a ser ampliados pela impermeabilização do solo e pelas limitações dos sistemas de drenagem. Além disso, a forma como a chuva se distribui ao longo do tempo é determinante: uma precipitação intensa e concentrada, com 15 milímetros em curto intervalo, pode provocar mais transtornos do que um volume maior, como 50 milímetros, distribuído de maneira gradual.
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