Fortaleza registrou redução de 28% nos casos de hanseníase em 2025, em comparação com o ano anterior. Ao todo, foram confirmados 224 diagnósticos da doença na Capital, 89 a menos que em 2024. Para 2026, a Secretaria Municipal da Saúde prevê a ampliação das estratégias voltadas ao diagnóstico precoce.
O atendimento para casos suspeitos de hanseníase é ofertado gratuitamente nos 134 postos de saúde do município. As ações integram as atividades do Janeiro Roxo, campanha nacional dedicada à conscientização e ao enfrentamento da doença. Segundo o coordenador da Atenção Primária à Saúde de Fortaleza, Erlemus Soares, a busca por avaliação médica é fundamental para interromper a cadeia de transmissão. “A partir do início do tratamento, o paciente deixa de transmitir a doença”, explica.
A hanseníase é transmitida principalmente por meio de contato prolongado com pessoas infectadas, por vias respiratórias, como tosse, espirros e fala. O diagnóstico é realizado a partir de exames dermatológicos e neurológicos, que avaliam alterações na pele e mudanças de sensibilidade.

Entre os pacientes atendidos na rede municipal está Maria de Jesus de Lima, moradora de Fortaleza. Ela procurou um posto de saúde após identificar uma mancha avermelhada na pele e, após avaliação clínica e neurodermatológica, o diagnóstico de hanseníase foi confirmado.
Maria de Jesus concluiu o tratamento em cinco meses e segue em acompanhamento no posto de saúde. “Eu só saía durante a noite e ia à igreja. Quando a médica disse que eu estava curada, depois de fazer todo o tratamento, foi uma satisfação muito grande”, relata.
Causada pela bactéria Mycobacterium leprae, a hanseníase afeta principalmente a pele e os nervos periféricos. Os sintomas incluem manchas esbranquiçadas, avermelhadas, acastanhadas ou amarronzadas, alterações de sensibilidade, dormência, formigamento, fisgadas e presença de nódulos.
Quando há necessidade de exames laboratoriais complementares, o paciente não deve estar em jejum. A orientação é da auxiliar de laboratório Claudia de Sousa Lima, do Posto de Saúde Hélio Góes, no bairro Sapiranga, unidade gerida pelo Instituto de Saúde e Gestão Hospitalar (ISGH). O encaminhamento para a coleta ocorre após consulta médica, diante da identificação de sinais e sintomas compatíveis com a doença.
Janeiro Roxo
Janeiro foi oficializado pelo Ministério da Saúde como o mês nacional de enfrentamento à hanseníase. Dados da Organização Mundial da Saúde indicam que, em 2025, o Brasil ocupou a segunda posição entre os países com maior número de diagnósticos da doença.
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