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Cariri pode sediar a primeira Escola Brasileira de Literatura de Cordel e Xilogravura

Foto: CeART

A região do Cariri pode vir a abrigar a primeira Escola Brasileira de Literatura de Cordel e Xilogravura. A proposta está em fase de articulação e envolve o Ministério da Cultura (MinC), a Universidade Regional do Cariri (URCA) e a Universidade Federal do Cariri (UFCA).

Na última segunda-feira (26), o secretário de Formação Artística e Cultural do Ministério da Cultura, Fabiano Piúba, participou de uma reunião com representantes das instituições para discutir os encaminhamentos do projeto. A ideia é estruturar um espaço voltado à formação, preservação e difusão dessas expressões artísticas tradicionais.

Um dos pontos centrais da proposta é a utilização da Lira Nordestina, equipamento cultural ligado à URCA, como base para o desenvolvimento da escola. O espaço é reconhecido nacionalmente pela contribuição histórica à produção de literatura de cordel e xilogravura.

A tradição do cordel e da xilogravura no Cariri remonta ao final do século XIX e início do século XX, período em que feiras populares da região se consolidaram como importantes polos de produção cultural. Em Juazeiro do Norte, a criação da Tipografia São Francisco — posteriormente denominada Lira Nordestina — teve papel decisivo nesse processo.

A xilogravura, técnica que utiliza a madeira como matriz para impressão de imagens, tornou-se uma das marcas visuais mais características da literatura de cordel, especialmente nas capas dos folhetos, ajudando a construir a identidade estética desse gênero literário.

Lira Nordestina

Considerada um dos espaços mais antigos do Brasil dedicados ao cordel e à xilogravura, a Lira Nordestina funcionou, entre 1932 e 1982, como editora de folhetos em Juazeiro do Norte, sob a coordenação de José Bernardo da Silva. Inicialmente chamada de Folhetaria Silva, passou a se chamar Tipografia São Francisco em 1939.

Em 1949, José Bernardo adquiriu os direitos autorais de obras de João Martins de Athayde, o que consolidou a tipografia como uma das mais relevantes editoras de cordel do país. Após sua morte, na década de 1970, a gestão passou para sua filha, Maria de Jesus da Silva Diniz. Em 1980, o espaço recebeu o nome de Lira Nordestina, por sugestão de Patativa do Assaré.

Com dificuldades financeiras, a Lira foi vendida ao Estado do Ceará em 1982 e, seis anos depois, tornou-se patrimônio da URCA. Atualmente, o espaço segue ativo e mantém viva a tradição da xilogravura, com a atuação de artistas e mestres que se dedicam à preservação dessa expressão cultural.

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