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Taxa de desemprego atinge menor patamar desde 2012

Mesmo em um cenário de juros elevados, o mercado de trabalho brasileiro apresentou desempenho positivo em 2025, alcançando os melhores indicadores de ocupação desde o início da série histórica do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A taxa média anual de desocupação caiu para 5,6%, o menor nível já registrado, segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD).

O resultado representa uma redução de um ponto percentual em relação a 2024, quando o índice era de 6,6%. Na comparação com 2019, último ano antes da pandemia de Covid-19, a queda foi ainda maior, de 6,2 pontos percentuais. Diante de 2012, início da série histórica, quando a taxa era de 7,4%, o recuo acumulado foi de 1,8 ponto percentual. No trimestre encerrado em dezembro de 2025, o desemprego ficou em 5,1%.

Taxa de desemprego atinge menor patamar desde 2012
Foto: Helene Santos/ Governo do Ceará

Segundo a analista do IBGE Adriana Beringuy, o comportamento do mercado de trabalho reflete os efeitos desiguais da política monetária sobre os diferentes segmentos da economia. “O efeito da taxa de juros não é uniforme. As atividades que mais expandiram o emprego e o consumo não foram as mais dependentes de crédito”, explica a pesquisadora.

Atualmente, a taxa básica de juros (Selic) está em 15% ao ano, o maior patamar em cerca de 20 anos. Em geral, juros elevados encarecem o crédito, reduzem investimentos e tendem a frear contratações. Ainda assim, os indicadores do mercado de trabalho seguiram positivos.

De acordo com Adriana, o crescimento da atividade não foi impulsionado pelo consumo de bens duráveis, como imóveis ou produtos de maior valor, tradicionalmente mais sensíveis ao custo do crédito. O principal vetor foi o aumento da renda do trabalhador. Esse avanço da renda ocorreu por diferentes canais, incluindo a expansão do emprego em atividades de serviços com maior escolaridade e remuneração. Entre eles, informação, comunicação, atividades financeiras, administrativas e o setor público, além do reajuste do salário mínimo.

Com mais renda disponível, o consumo se concentrou principalmente em bens não duráveis e serviços, como alimentação, vestuário e serviços pessoais. Paralelamente, houve melhora na qualidade da ocupação, com redução dos indicadores de subutilização da força de trabalho.

Nível de ocupação

Em 2025, a proporção de pessoas ocupadas na população em idade de trabalhar atingiu 59,1%, o maior da série histórica. O indicador avançou 0,5 ponto percentual em relação a 2024 (58,6%) e superou o patamar registrado em 2012 (58,1%).

Taxa de desemprego atinge menor patamar desde 2012
Foto: Ascom Jucec

A população ocupada chegou a 103 milhões de pessoas. O total representa um crescimento de 1,7% frente a 2024 e é 15,4% superior ao observado no início da série. Já a população desocupada somou 6,2 milhões, cerca de um milhão a menos que no ano anterior, uma queda de 14,5%.

Subutilização

No mesmo período, a taxa anual de subutilização da força de trabalho caiu para 14,5%, um recuo de 1,7 ponto percentual em comparação com 2024. Em números absolutos, a população subutilizada foi estimada em 16,6 milhões de pessoas, uma redução de 10,8%.

O número de pessoas subocupadas por insuficiência de horas trabalhadas alcançou 4,6 milhões, representando uma queda de 7% em relação a 2024. Já os desalentados chegaram em 2,9 milhões, uma redução de 9,6%. Estes compõem a população que gostaria de trabalhar, mas desistiu de buscar por julgarem não atender os critérios exigidos.

Mercado de trabalho

No mercado formal, o número de empregados do setor privado com carteira assinada cresceu 2,8% em 2025, atingindo 38,9 milhões de pessoas. Este é o maior patamar da série histórica. Em sentido oposto, o contingente de trabalhadores sem carteira assinada recuou 0,8%, totalizando 13,8 milhões, embora ainda permaneça acima do nível observado em 2014.

Taxa de desemprego atinge menor patamar desde 2012
Foto: Reprodução

Já o número de trabalhadores por conta própria somou 26,1 milhões, uma alta de 2,4% frente a 2024. Entre os trabalhadores domésticos, houve queda de 4,4%, com o total chegando a 5,6 milhões. Com isso, a taxa de informalidade caiu de 39% para 38,1%.

O rendimento real habitual médio foi estimado em R$ 3.560, um crescimento de 5,7% em relação ao ano anterior. A massa de rendimento real habitual alcançou R$ 361,7 bilhões, o maior valor da série histórica, com crescimento de 7,5% em 2025.

Setores

O maior crescimento do emprego em 2025 foi registrado nos setores de informação, comunicação e atividades financeiras, imobiliárias, profissionais e administrativas. O avanço foi de 6,8%, reunindo 13,4 milhões de trabalhadores. O comércio e reparação de veículos, setor com maior número absoluto de ocupados, manteve estabilidade, com leve alta de 0,3%, totalizando 19,5 milhões de pessoas. A administração pública, educação, saúde e serviços sociais permaneceu como o segundo maior contingente, com 19 milhões de ocupados, um crescimento de 5%.

Na contramão, a construção interrompeu quatro anos consecutivos de crescimento e registrou queda de 3,9%, com redução de 302 mil postos de trabalho. A indústria geral apresentou recuperação moderada, com alta de 2,3%. Por sua vez, agropecuária, produção florestal, pesca e aquicultura, cresceu 1,1%, embora permaneça abaixo do nível observado em 2012. Os serviços domésticos também tiveram retração, com queda de 4,1%.

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