O uso prolongado da melatonina pode estar associado a um aumento do risco de doenças cardiovasculares em adultos com insônia crônica. O estudo foi apresentado em novembro de 2025 durante as Sessões Científicas da Associação Americana do Coração (AHA), nos Estados Unidos. No entanto, vale destacar que a pesquisa ainda não foi revisada por pares.
O levantamento analisou mais de 130 mil prontuários médicos e comparou pessoas que utilizaram melatonina por pelo menos um ano com pessoas que nunca fizeram uso da substância. De acordo com os dados, os usuários apresentaram probabilidade cerca de 90% maior de desenvolver insuficiência cardíaca ao longo de cinco anos de acompanhamento.

Além disso, o risco de hospitalização por insuficiência cardíaca foi aproximadamente 250% mais elevado entre os participantes que usaram o suplemento. A taxa de mortalidade por qualquer causa também foi cerca de duas vezes maior nesse grupo em comparação ao outro grupo.
O que é a melatonina?
No Brasil, a melatonina é classificada como suplemento alimentar desde outubro de 2021, conforme autorização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). A classificação permite a comercialização do produto sem exigência de prescrição médica. Em nota, a agência informou que a decisão considerou a substância bioativa, naturalmente presente em alimentos e segura dentro dos limites estabelecidos pela legislação.
A Anvisa ressalta, no entanto, que a regulação vigente não permite atribuir aos suplementos alimentares contendo melatonina alegações de melhora da insônia. Segundo a agência, empresas interessadas em associar o produto a esse efeito específico devem apresentar estudos que comprovem a relação benéfica entre o consumo e o resultado alegado.
Especialistas destacam que, apesar da classificação regulatória, a melatonina é um neuro-hormônio produzido pela glândula pineal, no cérebro, com função central na regulação do ritmo circadiano, responsável pelo ciclo sono-vigília. A produção do hormônio ocorre principalmente durante a noite, sendo estimulada pela ausência de luz.

A melatonina sintética comercializada apresenta características semelhantes às do hormônio produzido naturalmente pelo organismo. Por esse motivo, o uso requer acompanhamento médico, especialmente em relação à dosagem. Quantidades superiores às necessárias podem permanecer no organismo após o despertar e causar efeitos como sonolência diurna, tontura, dor de cabeça e desorientação.
Recomendação e riscos
Segundo especialistas, a suplementação é indicada apenas em situações específicas, como distúrbios do ritmo circadiano ou alterações neurológicas que comprometem a percepção da luminosidade ambiental. Por sua vez, episódios pontuais de dificuldade para dormir, segundo os profissionais, não configuram indicação para o uso do hormônio.
O consumo da melatonina sem indicação e acompanhamento médico pode levar a efeitos colaterais. Entre eles sonolência diurna, tontura, dor de cabeça e desorientação, além de possíveis impactos a longo prazo ainda em investigação.
Como tratar a insônia?
Alternativas não farmacológicas são citadas como estratégias para melhorar o sono, como a adoção de hábitos relacionados à higiene do sono, prática regular de atividade física, controle da exposição à luz durante a noite e ajustes na alimentação. Em casos persistentes de insônia, a orientação é buscar avaliação médica especializada.
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