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Ceará registra aumento de 10% em denúncias de crimes por racismo em 2025

O Ceará registrou, pelo sétimo ano consecutivo, crescimento no número de vítimas de crimes motivados por preconceito de cor ou raça. Dados da Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS) indicam que, em 2025, foram contabilizadas 413 denúncias desse tipo no Estado, volume 10% superior ao registrado em 2024.

A série histórica da SSPDS, iniciada em 2015, evidencia um avanço ao longo da última década. Em 2019, por exemplo, haviam sido registrados 30 casos. O maior salto anual ocorreu em 2023, quando o crime de injúria racial passou a ser equiparado ao racismo. Naquele ano, o número de vítimas chegou a 363, mais que o dobro das 180 ocorrências contabilizadas em 2022.

Segundo o poder público, fatores como o fortalecimento da identidade racial da população e a ampliação do debate sobre o racismo na sociedade contribuem para o aumento das notificações. A executiva da Secretaria da Igualdade Racial do Ceará (Seir), Martír Silva, acrescenta que a criação de novos canais institucionais também impactou diretamente os registros, como a Delegacia de Repressão aos Crimes por Discriminação Racial, Religiosa ou Orientação Sexual (Decrim), inaugurada em 2023.

Ceará registra aumento de 10% em denúncias de crimes por racismo em 2025
Foto: Carlos Gibaja/ Governo do Ceará

De acordo com a secretária, o maior acesso à informação tem permitido que condutas antes naturalizadas passem a ser reconhecidas como crimes. “Essa sociedade está tendo maior nível de informação do que tinha antes. Do que significa, dos indícios, das características que envolvem um crime de racismo. Então, o que antes, há anos atrás, passava de forma despercebida pelas pessoas, hoje já é perceptível”, comentou.

Apesar do crescimento nos registros oficiais, a SSPDS avalia que os dados ainda não refletem a totalidade dos crimes ocorridos no Estado. A subnotificação permanece como um obstáculo, uma vez que parte das vítimas ainda não formaliza as denúncias junto às autoridades.

Perfil

O recorte etário dos registros aponta maior incidência entre jovens adultos. Pessoas com idades entre 18 e 23 anos concentram 12,87% das denúncias. Quando considerada a população até 35 anos, o percentual sobe para 45% do total de casos registrados no Ceará.

Especialistas relacionam esse cenário ao maior contato desse público com conteúdos antirracistas durante a formação escolar e por meio das redes sociais, da mídia e de debates cotidianos. Além disso, esse grupo vivencia um processo de reconhecimento de práticas racistas que, por muito tempo, foram tratadas como brincadeiras ou apelidos inofensivos.

Ceará registra aumento de 10% em denúncias de crimes por racismo em 2025
Foto: Pixabay

Já entre a população idosa, a identificação e a denúncia desses crimes tendem a ocorrer com menor frequência. Conforme explica Martír, décadas de normalização dessas condutas dificultam o reconhecimento imediato de situações de racismo e injúria racial, embora pessoas com mais de 60 anos também possam atuar como denunciantes.

“Eu não quero dizer com isso que as pessoas mais velhas estão sem capacidade de entender, mas ela já vem, vamos dizer assim, de uma informação sobre as relações étnico-raciais anteriores, já consolidadas, que não tem tanta percepção imediata sobre o racismo”, pontuou.

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