Cerca de 781 mil novos casos de câncer devem ser registrados por ano no Brasil entre 2026 e 2028, segundo a nova Estimativa divulgada pelo Instituto Nacional de Câncer (Inca). O levantamento consolida a doença como um dos principais desafios da saúde pública no país. A projeção indica que o câncer pode se tornar, em um futuro próximo, a principal causa de morte no Brasil, superando enfermidades cardiovasculares.
O perfil da doença no país é influenciado pelas diferenças socioeconômicas. Enquanto regiões mais desenvolvidas concentram tumores associados ao envelhecimento e ao estilo de vida urbano, áreas mais pobres ainda enfrentam altos índices de cânceres preveníveis e diagnosticados em estágios avançados.

Dados da Estimativa 2026 mostram que, no Norte e no Nordeste, o câncer do colo do útero permanece como a segunda neoplasia mais incidente entre mulheres, apesar de ser amplamente prevenível por vacinação contra o HPV e rastreamento regular. A vacina está disponível no Sistema Único de Saúde (SUS) para meninas e meninos de nove a 14 anos e para usuários da PrEP.
Entre os homens dessas regiões, o câncer de estômago aparece com destaque, cenário associado a fatores socioeconômicos, infecções e diagnóstico tardio. Especialistas relacionam a incidência elevada à dificuldade de acesso a serviços de saúde e à baixa detecção precoce.
Já no Sul e no Sudeste, predominam cânceres ligados ao envelhecimento populacional e ao estilo de vida urbano. Tumores de mama, próstata, cólon e reto concentram a maior parte dos casos, padrão semelhante ao observado em países de alta renda.
O câncer de mama segue como o mais incidente entre as mulheres no Brasil, com estimativa próxima de 80 mil novos casos por ano. Já o câncer do colo do útero mantém mortalidade elevada, apesar de ser evitável. De acordo com o oncologista Gilberto Amorim, da Oncologia D’Or e titular da Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (SBOC), o país registra quase 20 mil novos casos por ano e mais de sete mil mortes anuais pela doença. O número é considerado alto diante da disponibilidade de vacina.

Outro destaque da estimativa é o avanço do câncer de cólon e reto, hoje entre os mais incidentes em homens e mulheres. Em algumas regiões, esse tipo de tumor já lidera entre os homens. Especialistas associam o crescimento do câncer colorretal a fatores como sedentarismo e alimentação inadequada. Além da incidência elevada, a mortalidade permanece alta, em grande parte pela ausência de um programa nacional estruturado de rastreamento.
Mesmo com queda gradual nos últimos anos, os cânceres de traqueia, brônquio e pulmão seguem como a principal causa de morte por câncer no Brasil, considerando homens e mulheres. A afirmação tem como base os dados de mortalidade de 2023.
Em contrapartida, os cânceres com menor incidência entre os homens são os de bexiga, esôfago, fígado, laringe e linfoma não Hodgkin. Entre as mulheres, corpo do útero, estômago, ovário, pâncreas e linfoma não Hodgkin.
Incidência x Mortalidade
Tumores como os de mama e próstata lideram em número de casos, mas não em mortes. Já cânceres como pulmão e intestino apresentam maior letalidade, geralmente associados ao diagnóstico tardio. Nesse sentido, alguns fatores sociais agravam o risco de morte pela doença.
Segundo o oncologista Fernando Maluf, do Instituto Vencer o Câncer, populações mais pobres tendem a receber o diagnóstico em estágios mais avançados, o que compromete o prognóstico e eleva a mortalidade.
“Quanto maior a expectativa de vida, maior a vulnerabilidade às doenças crônicas, como o câncer. Mas o que preocupa é que muitos fatores de risco, em vez de diminuírem, estão aumentando: obesidade, sedentarismo, piora da alimentação, consumo de álcool e tabagismo”, explicou.
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