Ex-alunos da Escola de Ensino Médio Dr. César Cals se reuniram, nesta terça-feira (3), para comemorar as mais de 250 aprovações no ensino superior em 2026. Os jovens deixaram registrados na pele os resultados do empenho dedicado ao longo dos três anos de formação.
Administração, Engenharia Mecânica, Biomedicina, Letras, Artes Visuais, Ciências Biológicas e Medicina estão entre os cursos nos quais os ex-estudantes foram aprovados na primeira chamada do vestibular da Universidade Estadual do Ceará (Uece) e na chamada regular do Sistema de Seleção Unificada (Sisu) e do Programa Universidade para Todos (Prouni).
O número superior a 250 corresponde a aprovações, ou seja, parte dos alunos conquistou vaga em mais de uma instituição de ensino.
No pátio da escola, localizada no bairro Farias Brito, em Fortaleza, parte dos 374 alunos do 3º ano de 2025 se reuniu para dividir a alegria da chegada ao ensino superior. Professores, gestores e funcionários da unidade auxiliavam os estudantes a se pintarem com tintas e pincéis.
Cada pessoa que chegava ao local, com expressão de felicidade, reencontrava amigos e colegas da instituição, do porteiro ao coordenador. Diferente do silêncio e da disciplina — por vezes necessários em um colégio —, o que se via (e ouvia) eram abraços, gritos e risadas.
“Mais um ano de muito sucesso e de alegria. Enquanto professor, a gente se sente muito orgulhoso dessa juventude da periferia, do filho de trabalhador que consegue ingressar na universidade. Isso nos deixa completamente felizes, de coração cheio de alegria”, afirma Geh Rubens, coordenador do pré-vestibular da escola.
Entre os egressos que participaram da celebração estava Josian Davi, de 18 anos, aprovado em Ciências Biológicas na Universidade Federal do Ceará (UFC) pelo Sisu. Interessado pela natureza e pelos animais desde a infância, escolheu o curso com o apoio dos professores.
“Sempre tive vontade de viajar para conhecer os lugares, os tipos de animais que têm por aí, os tipos de árvores. Depois que entrei no ensino médio, os professores de biologia me ajudaram muito a nutrir esse interesse. Senti que aquilo era o que eu queria”, afirma.
Foto: Reprodução
O estímulo também levou o ex-aluno a formar um grupo de estudos da disciplina para auxiliar colegas com dificuldades. Orientar os amigos despertou o desejo de se tornar professor. “Tinha uma certa facilidade de falar com o pessoal, passar o conteúdo e eles me entendiam”, reflete.
“Sou o primeiro da família a entrar na universidade, então eles ficaram muito felizes […] Minha maior motivação é mudar a realidade da minha família, dar orgulho para eles. Acho que o que mais move a gente é nosso sonho de mudar de vida”, afirma Josian.
Quem também compareceu à escola para receber as felicitações foi Karolina Mascarenhas, de 17 anos, aprovada no curso de Criminologia pelo Prouni e em Hotelaria no Instituto Federal do Ceará (IFCE).
Ela ainda aguarda a lista de espera da Uece e da UFC para o curso de Enfermagem, sua primeira opção.
“Passei o Sisu inteiro na vaga [de classificados], aí quando saiu o resultado, alguém passou na minha frente. Quando descobri que passei em Criminologia, senti que era a minha chance de me aprofundar mais nesse hobby”, conta.
Mesmo assim, Karolina celebra o que já conquistou. “É reconfortante saber que por mais que eu tenha passado o ano inteiro estudante, tenho não só uma opção. Posso escolher o melhor caminho, qual vai me deixar mais feliz”, afirma.
Foto: Reprodução
Quatro futuros médicos
Foto: Reprodução
Entre as aprovações, Miguel Arcanjo Alves Freitas, Ana Rafaelly Pereira, Bruna e Sabrina alcançaram um feito ainda mais desafiador: ingressar no curso de Medicina logo após a conclusão do ensino médio. Para o jovem de 18 anos, o interesse surgiu ao observar a irmã mais velha se preparando para a carreira médica.
“Nunca tive o sonho de ser médico, mas vendo minha irmã atuando, vendo a rotina dela, estudando, eu comecei a ficar encantado”, diz.
Atualmente, ela cursa o 3º ano da graduação também na UFC, mesma universidade que Miguel irá frequentar.
Diagnosticado com Transtorno do Espectro do Autismo (TEA), o jovem conquistou o primeiro lugar na cota de baixa renda, oriundo de escola pública e pessoa com deficiência, alcançando 754 pontos.
As conquistas dos alunos representam o início de uma transformação social, afirma Geh Rubens.
“A perspectiva é que a escola pública continue sendo uma escola de resistência, lutando contra a desigualdade social para que a gente possa vencer e realizar o sonho dos nossos meninos e meninas”, afirma.