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Mulheres representam menos de 1% dos motoristas de ônibus em Fortaleza

A presença feminina ao volante do transporte coletivo urbano em Fortaleza ainda é mínima. Dados do Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros do Estado do Ceará (Sindiônibus) apontam que apenas 27 mulheres atuam como motoristas de ônibus na Capital, o que representa 0,95% do total de 2.829 profissionais em atividade.

Apesar de circularem diariamente por diferentes regiões da cidade, principalmente no turno da manhã, as mulheres ainda enfrentam um setor historicamente dominado por homens. Segundo o Sindiônibus, a baixa participação feminina está relacionada a fatores como a exigência de qualificação técnica específica, as condições de trabalho e a menor atratividade da função em um sistema que atravessa crises operacionais e financeiras.

Foto: Thais Mesquita

A gerente administrativa da entidade destaca que a ampliação da presença feminina no setor passa por mudanças culturais graduais e por ações contínuas de conscientização das empresas. A inclusão, segundo ela, precisa ser sistemática e consolidada para romper padrões historicamente estabelecidos no transporte coletivo.

Dados do Relatório Anual de Segurança Viária da Autarquia Municipal de Trânsito e Cidadania (AMC), divulgado em 2024, também ajudam a contextualizar o cenário. O levantamento mostra que 80% das mortes no trânsito em Fortaleza envolveram homens, enquanto 20% corresponderam a mulheres. Em nota, a AMC explica que essa diferença está associada, principalmente, à maior exposição masculina ao tráfego, especialmente em atividades profissionais.

Se, por um lado, a presença feminina entre os motoristas ainda é reduzida, por outro, os cargos de gestão apresentam maior participação das mulheres. Das 115 vagas administrativas no setor de transporte coletivo, 32 são ocupadas por profissionais do sexo feminino, o equivalente a cerca de 27,8% do total.

Para o Sindiônibus, esse avanço nos cargos de gestão é resultado de políticas internas e ações de longo prazo voltadas à valorização da diversidade. A entidade avalia que um sistema de transporte que atende a toda a cidade precisa refletir a pluralidade da população, não apenas como uma questão social, mas também como estratégia para o fortalecimento do próprio serviço.

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