Uma mudança no tratamento do diabetes ofertado pelo Sistema Único de Saúde (SUS) começou a ser implementada no último dia 6 de fevereiro, após anúncio do Ministério da Saúde. A medida prevê a adoção gradual da insulina análoga de ação prolongada glargina, que substituirá a insulina humana NPH.
Considerada pela pasta um marco na assistência às pessoas com diabetes no Brasil, a nova insulina possui duração de efeito de até 24 horas. A característica permite apenas uma aplicação diária, fator que pode contribuir para maior praticidade no tratamento e melhor adesão dos pacientes.
Inicialmente, a estratégia será colocada em prática por meio de um projeto-piloto em quatro unidades da federação: Amapá, Paraná, Paraíba e Distrito Federal. Segundo estimativa do Ministério, mais de 50 mil pessoas devem ser beneficiadas nessa primeira fase.

Dois públicos foram definidos como prioritários no início da transição. O primeiro é composto por crianças e adolescentes de até 17 anos diagnosticados com diabetes tipo 1. O segundo reúne idosos com 80 anos ou mais que convivem com diabetes tipo 1 ou tipo 2.
Apesar da ampliação da oferta, a troca da insulina não ocorrerá de forma automática. Cada paciente passará por avaliação clínica individualizada para verificar a indicação da mudança, respeitando o quadro de saúde apresentado. Para garantir a implementação segura da nova estratégia, profissionais da Atenção Primária à Saúde recebem treinamentos específicos voltados à adaptação do tratamento nos territórios contemplados pelo projeto-piloto.
Após os primeiros meses de execução, o Governo Federal pretende analisar os resultados obtidos. A partir dessa avaliação, será estruturado um plano para expandir a oferta da insulina glargina a outros estados do país.
Produção nacional e abastecimento
No Brasil, a insulina glargina distribuída pelo SUS é produzida por meio de uma Parceria para o Desenvolvimento Produtivo (PDP). A iniciativa envolve o laboratório público Bio-Manguinhos, da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), a empresa brasileira de biotecnologia Biomm e a farmacêutica chinesa Gan & Lee.
Dados do Ministério da Saúde indicam que, somente em 2025, mais de seis milhões de unidades do medicamento foram entregues à rede pública, com investimento aproximado de R$ 131 milhões. A expectativa é que, até o final de 2026, a capacidade produtiva chegue a 36 milhões de tubetes.
Além da insulina glargina, a pasta também destacou ações voltadas à garantia da produção nacional dos insumos básicos das insulinas humanas NPH e regular. Essas iniciativas envolvem parcerias com a farmacêutica indiana Wockhardt, o laboratório público Fundação Ezequiel Dias (Funed) e a Biomm.
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