Os moradores do Ceará gastam, em média, R$ 2.540 por mês para cobrir despesas básicas como moradia, alimentação e contas recorrentes. O valor é o quarto menor do país, de acordo com a pesquisa Custo de Vida no Brasil, realizada pelo Serasa em parceria com o instituto Opinion Box.
O levantamento, que ouviu 6.063 brasileiros entre 22 de dezembro e 6 de janeiro, aponta que apenas Sergipe (R$ 2.010), Maranhão (R$ 2.230) e Alagoas (R$ 2.450) apresentam custo de vida inferior ao do Ceará. Na outra ponta do ranking, o Distrito Federal lidera, com gasto médio mensal de R$ 4.920.

Segundo o levantamento, o custo de vida no Ceará acompanha o padrão da Região Nordeste, cuja média é de R$ 2.790. A relação entre renda e despesas ajuda a explicar o resultado, afirma Felipe Schepers, COO e cofundador do Opinion Box.
“A região como um todo tem um custo de vida mais baixo. E a gente sabe que isso acompanha a renda. Lugares em que você tem uma renda mais alta, o custo de vida também é mais elevado”, pontua. Conforme o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o rendimento mensal domiciliar per capita médio no Ceará é de R$ 1.056, o sexto menor do Brasil.
Distribuição dos gastos
Ao detalhar os gastos por segmento, o estudo indica que a moradia concentra a maior parte das despesas no Estado. Os custos com aluguel, condomínio ou financiamento somam, em média, R$ 840 por mês, valor que está entre os seis menores do país.
A alimentação aparece em seguida, com gasto médio mensal de R$ 680. O valor é o mesmo registrado no Piauí e está entre os menores do país, ficando acima apenas do Maranhão. Já as contas correntes, que incluem água, energia elétrica, internet e serviços de streaming, chegam a R$ 380, o terceiro menor custo identificado na pesquisa.

Outros gastos mensais incluem transporte e mobilidade (R$ 260), saúde e atividade física (R$ 510), educação (R$ 330), lazer (R$ 240), alimentação fora do domicílio (R$ 180), serviços e cuidados pessoais (R$ 180) e compras em geral, como calçados e cosméticos (R$ 350). Apesar dos valores mais baixos, os gastos com moradia e contas básicas têm pressionado o orçamento das famílias de menor renda, avalia o técnico do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), Arianderso Melo.
“Em 2025, o nível de preços da habitação cresceu muito além do total da inflação acumulada no período. Isso acaba impactando, principalmente, no orçamento das famílias mais pobres, pois elas alocam, proporcionalmente, uma maior parte do seu orçamento nesse tipo de despesas”, explica.
Administração financeira
Segundo a pesquisa, dois em cada dez brasileiros consideram fácil gerenciar as despesas mensais. Enquanto isso, sete em cada dez afirmam que o custo de vida aumentou nos últimos 12 meses.
Mesmo com a diferença de custos entre estados, a mudança de cidade não é vista como solução. Apenas um em cada dez entrevistados considera se mudar para reduzir despesas.
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