O Ceará perdeu 117 pontos de atendimento bancário entre 2022 e 2026, conforme levantamento do Sindicato dos Bancários do Ceará (Seeb-CE). O encolhimento da rede física atinge agências, Postos de Atendimento Bancário (PABs) e Postos Avançados de Atendimento (PAAs), tanto na Capital quanto em municípios do Interior, refletindo a reestruturação promovida pelas instituições financeiras diante do avanço dos canais digitais.
De acordo com os dados do sindicato, o movimento ganhou força especialmente a partir de 2024. Em 2022, foram 20 unidades encerradas. No ano seguinte, cinco fecharam as portas. Já em 2024, o número saltou para 25 desativações e, em 2025, chegou a 62 fechamentos. Para 2026, ao menos duas unidades já têm encerramento previsto.
Grande parte dos postos desativados funcionava em prédios públicos, como prefeituras, fóruns e órgãos estaduais, além de centros comerciais. A mudança, segundo o Seeb-CE, reduz a presença bancária em cidades onde, em alguns casos, havia apenas uma instituição operando presencialmente.
Bancos concentram cortes
O presidente do sindicato, José Eduardo Rodrigues Marinho, afirma que os maiores cortes têm sido promovidos por bancos privados como Bradesco, Santander e Itaú Unibanco.
Na avaliação dele, o Bradesco lidera o número de encerramentos, inclusive em municípios onde é o único banco em funcionamento. Já o Itaú e o Santander concentram parte das desativações em Fortaleza, enquanto o Bradesco ampliou o fechamento de unidades no Interior nos últimos anos.
O sindicalista critica a rapidez com que os comunicados são feitos e aponta impactos diretos para clientes e trabalhadores. Segundo ele, a substituição de agências por correspondentes bancários instalados em farmácias, mercantis e outros estabelecimentos comerciais limita o atendimento presencial e obriga a população a percorrer maiores distâncias para resolver demandas mais complexas.
Além disso, ele destaca que nem todos os clientes têm acesso adequado à internet ou familiaridade com aplicativos bancários, especialmente idosos e moradores de áreas com infraestrutura digital precária.
Impacto na economia local
Durante audiência pública com representantes empresariais e parlamentares, o sindicato apresentou dados indicando que o fechamento de agências pode afetar a dinâmica econômica dos municípios. A argumentação é que parte significativa dos recursos sacados em agências físicas tende a circular no comércio do entorno. Com o deslocamento para outras cidades, essa movimentação financeira deixa de ocorrer localmente, enfraquecendo pequenos negócios.
Para Marinho, a redução da rede física também compromete a inclusão bancária e amplia desigualdades regionais, sobretudo em cidades menores.
Bancos apontam mudança no perfil do cliente
Em notas, as instituições financeiras justificam a reestruturação com base na digitalização dos serviços. O Bradesco informou que 98% das operações realizadas por seus clientes já ocorrem por canais digitais, o que motivou a transformação de parte das agências em unidades de negócio ou a unificação de estruturas. O banco destaca ainda a atuação do Bradesco Expresso, rede de correspondentes bancários com horário ampliado.
O Santander afirma que o encerramento de agências acompanha a mudança de comportamento dos clientes, que realizam quase a totalidade das operações remotamente. A instituição ressalta que mantém atendimento via aplicativo, internet banking, telefone e especialistas que visitam clientes-empresa.
O Itaú Unibanco, por sua vez, informa que cerca de 97% das transações de pessoas físicas já são feitas digitalmente. Segundo o banco, a estratégia é direcionar investimentos para uma experiência digital mais personalizada, ao mesmo tempo em que a rede física passa a ter perfil mais consultivo e segmentado.
Capital e Interior na lista
Em Fortaleza, diversos postos ligados a órgãos públicos e empresas foram encerrados nos últimos anos. No Interior, cidades como Morada Nova, Redenção, Abaiara, Itapipoca, Pacoti e dezenas de outros municípios registraram fechamento de PAAs e PABs, especialmente a partir de 2024 e 2025.
Os dados do Seeb-CE mostram que o processo não é pontual, mas parte de uma reconfiguração estrutural do setor bancário no Estado, impulsionada pela digitalização dos serviços financeiros. Enquanto os bancos defendem a modernização e a eficiência operacional, sindicatos alertam para os impactos sociais, trabalhistas e econômicos da redução da presença física no território cearense.
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