
As emissões líquidas de gases de efeito estufa no Ceará cresceram 24% entre 2018 e 2023, segundo o novo Inventário de Emissões de Gases de Efeito Estufa lançado pela Secretaria do Meio Ambiente e Mudança do Clima durante evento na Assembleia Legislativa do Ceará (Alece).
De acordo com o levantamento, o volume passou de 28,1 milhões para 34,96 milhões de toneladas de dióxido de carbono equivalente no período. O setor de Agropecuária e Uso da Terra tornou-se a principal fonte de poluição climática no Estado, impulsionado principalmente pela conversão de áreas naturais em solos produtivos.
O desmatamento para expansão agropecuária e áreas sem vegetação elevou as emissões em 172%, saindo de 4,79 para 13,03 milhões de toneladas de CO2 equivalente. Embora a cobertura florestal ainda represente 67,8% do território, a agropecuária já ocupa 29% da área estadual. Dentro desse percentual, as pastagens correspondem a 64% das áreas produtivas.
A expansão dos pastos reflete o peso da pecuária bovina. As emissões por fermentação entérica e manejo de dejetos cresceram 16% na série histórica. Em 2023, bois e vacas liberaram 5,66 milhões de toneladas de CO2 equivalente na atmosfera.
O relatório aponta que o aumento dos gases intensifica o desequilíbrio climático e contribui para eventos extremos mais frequentes e intensos, como ondas de calor, secas prolongadas e inundações. O estudo defende medidas de mitigação em curto, médio e longo prazo, além de políticas para conter o desmatamento ilegal e recuperar áreas degradadas.
A secretária Vilma Freire afirmou que os dados exigem esforço conjunto do poder público, setor produtivo e sociedade. Já Rodrigo Perpétuo, secretário-executivo do Iclei América do Sul, destacou que o inventário é fundamental para alinhar o Ceará às metas do Acordo de Paris. Segundo ele, para cumprir o compromisso de neutralidade até 2050, o Estado precisará reduzir cerca de 60% das emissões até 2035.
O estudo também ressalta a importância da Caatinga, bioma que ocupa quase 90% do território cearense e tem alto potencial de retenção de carbono. A preservação e recuperação dessas áreas são apontadas como estratégicas para reverter o avanço das emissões no Estado.


