A detecção tardia ainda é um dos principais obstáculos no enfrentamento do câncer colorretal no Brasil. Um levantamento baseado no Registro Hospitalar de Câncer indica que mais de 60% dos diagnósticos ocorrem apenas em estágios avançados da doença, cenário que reduz as chances de cura e torna o tratamento mais complexo.
Conhecido popularmente como câncer de intestino, o tumor está entre os mais incidentes no país. Dados do Instituto Nacional de Câncer (INCA) apontam que a doença ocupa a segunda posição em frequência nacional. No Ceará, aparece como o quarto tipo mais comum entre homens e o quinto entre mulheres, atrás de neoplasias como as de próstata e mama feminina.

A elevada incidência motivou a intensificação das ações da campanha Março Azul, voltada à conscientização sobre prevenção e diagnóstico precoce. De acordo com o gastroenterologista e presidente da Sociedade Brasileira de Endoscopia Digestiva – Ceará (SOBED-CE), Dr. Alessandrino Terceiro, este é um dos cânceres com maior potencial de prevenção e diagnóstico precoce.
“Com a realização de exames, os pólipos e as lesões podem ser identificados em fases iniciais e removidos antes de se transformarem em câncer, elevando as chances de cura em até 90% dos casos”, comenta.
O exame considerado padrão para rastreamento é a colonoscopia, indicada a partir dos 45 anos ou antecipadamente em pessoas com histórico familiar da doença. Apesar da recomendação médica, ainda há resistência por parte da população, frequentemente associada ao receio do procedimento ou ao desconhecimento sobre sua importância preventiva.
O especialista explica que a ausência de sintomas nas fases iniciais contribui diretamente para o diagnóstico tardio. Em muitos casos, pacientes procuram atendimento apenas após sinais como sangramento intestinal, anemia ou perda de peso, momento em que a doença já pode ter avançado.

Além do fator etário e da predisposição genética, hábitos de vida exercem influência no risco de desenvolvimento do câncer colorretal. Alimentação rica em produtos ultraprocessados e carnes embutidas, baixo consumo de fibras, obesidade, sedentarismo, tabagismo e ingestão excessiva de álcool estão entre os principais fatores associados ao surgimento do tumor.
Estimativas recentes do INCA reforçam a dimensão do problema ao projetar cerca de 781 mil novos casos anuais no Brasil entre 2026 e 2028. Para o médico, ampliar o acesso à informação e incentivar a realização de exames preventivos são medidas essenciais para modificar esse panorama.
“A recomendação médica é não esperar sentir algo para buscar acompanhamento médico. O câncer de intestino não avisa. Prevenir ainda é a forma mais eficaz de salvar vidas”, conclui.
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