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Monitoramento aponta pressão sobre aquíferos e destaca importância das águas subterrâneas no Cariri

Foto: Cogerh

A Companhia de Gestão dos Recursos Hídricos (Cogerh) apresentou, nesta quarta-feira (24), no município do Crato, os resultados de um estudo voltado ao monitoramento das águas subterrâneas na Bacia do Cariri, onde está localizada a maior reserva desse tipo no Ceará. O levantamento busca compreender o comportamento e a capacidade de recarga dos aquíferos que abastecem grande parte da população da região.

O projeto teve início em 2022, por meio de parceria com a Universidade Estadual Paulista (Unesp), com investimento aproximado de R$ 1 milhão. A pesquisa utiliza técnicas com isótopos ambientais para identificar a origem, o percurso e a idade das águas subterrâneas, permitindo avaliar a sustentabilidade da exploração desses recursos.

Foto: Cogerh

De acordo com a Cogerh, cerca de 50 municípios cearenses dependem exclusivamente de poços para o abastecimento de água, número que pode chegar a aproximadamente 100 em períodos de seca severa. Isso reforça a importância estratégica dos aquíferos, especialmente no Cariri, que concentra a segunda maior população do estado.

Na Bacia do Araripe, o monitoramento automatizado é realizado em 24 poços desde 2009. Em outras bacias hidrográficas do Ceará, o acompanhamento ocorre de forma manual em mais de 500 unidades, com medições periódicas que ajudam a identificar variações no nível e na qualidade da água.

Durante a apresentação, técnicos e pesquisadores alertaram para o aumento da pressão sobre essas reservas, principalmente em cidades como Juazeiro do Norte e Crato, onde o crescimento urbano e a expansão das atividades agrícolas ampliam a demanda por água subterrânea. A extração excessiva pode comprometer o volume disponível no futuro e afetar a qualidade do recurso.

Entre os fatores de risco apontados estão a perfuração inadequada de poços, a ausência de saneamento em algumas áreas e fontes de poluição que podem contaminar os aquíferos. O encontro reuniu especialistas, gestores públicos e integrantes de comitês de bacia, que discutiram estratégias para garantir o uso sustentável das águas subterrâneas, fundamentais para o abastecimento e o equilíbrio ambiental da região.

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