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Gravidez na adolescência cai quase 40% no Ceará

Foto: Reprodução

Gravidez na adolescência cai quase 40% no CearáA proporção de mães adolescentes diminuiu cerca de 40% nos últimos nove anos, conforme dados consolidados na Nota Informativa nº 01/2026 – Estratégias de Prevenção da Gravidez na Adolescência na Atenção Primária, divulgada pela Secretaria da Saúde do Ceará (Sesa).

Em 2016, 19,04% dos nascidos vivos no estado eram filhos de mães entre 10 e 19 anos — faixa etária considerada para caracterizar a gravidez na adolescência. Em 2025, esse percentual reduziu para 11,39%. Em números absolutos, o total anual de nascidos vivos de mães adolescentes passou de 24.034 para 11.627 no período — uma diferença de 12.407 casos na comparação entre o começo e o final da série histórica.

Em menos de dez anos, o Ceará saiu de quase 1 em cada 5 nascimentos nessa faixa etária para pouco mais de 1 em cada 10.

A coordenadora de Atenção Primária à Saúde (Coaps) da Sesa, Thaís Facó, explica que a gravidez precoce gera impactos que ultrapassam a gestação. “Entendemos que esse é um indicador que tem repercussões biopsicossociais na vida dessa menina, da sua família e da comunidade”, afirma.

Mais do que números, a redução representa adolescentes que puderam postergar a maternidade, ampliar as chances de permanência na escola e construir outros projetos de vida.

“Esse é um indicador que tem relação direta com mortalidade materna infantil, considerando que mães adolescentes têm mais risco de evoluir para complicações na gravidez, podendo repercutir também em prematuridade e mortalidade infantil”, destaca.

Organização do cuidado no território

A queda do indicador está relacionada ao fortalecimento da Atenção Primária à Saúde (APS), atribuição dos municípios e principal porta de entrada do SUS. Nesse contexto, a Secretaria da Saúde do Ceará (Sesa) desempenha papel de coordenação estadual, oferecendo apoio técnico, capacitação contínua e estruturando políticas que qualificam o atendimento nos territórios.

Para a coordenadora de Atenção Primária à Saúde (Coaps), Thaís Facó, a redução registrada é resultado de um processo permanente de organização da rede.

“A Atenção Primária é o espaço onde é possível atuar de forma preventiva, com acompanhamento próximo das adolescentes, qualificação do pré-natal e ampliação do planejamento reprodutivo. O papel do Estado é apoiar tecnicamente os municípios para que esse cuidado aconteça com qualidade”, afirma.

Ao longo dos anos, diferentes políticas têm contribuído para esse fortalecimento. Entre as iniciativas mais recentes está o Projeto De Braços Abertos – atenção desde o primeiro cuidado, lançado em 2023. A estratégia organiza e qualifica os processos de trabalho nas regiões de saúde por meio de três eixos — Educação Permanente, Planificação e Rede de Articuladores — apoiando a organização do pré-natal, a estratificação de risco e o planejamento reprodutivo, em suporte à atuação municipal.

Outro destaque nas estratégias de cuidado na área é o conjunto de ações desenvolvidas por meio do Programa Saúde na Escola (PSE), iniciativa do Ministério da Saúde executada em parceria com os municípios. No Ceará, os 184 municípios aderem ao programa, que funciona por ciclos bianuais e prevê a articulação entre as redes de saúde e educação.

A assessora técnica da Coordenadoria de Atenção Primária à Saúde (Coaps) da Sesa, Ana Beatriz Pinheiro, explica que o papel do Estado é fortalecer essa integração.

“A gente atua por meio do grupo de trabalho intersetorial estadual, apoiando os municípios, para que as ações aconteçam de forma integrada entre saúde e educação”, afirma.

Segundo ela, as equipes da Atenção Primária promovem atividades educativas nas escolas ao longo do ano, abordando temas como saúde sexual e reprodutiva e prevenção de infecções sexualmente transmissíveis.

“O objetivo é fomentar o diálogo com os adolescentes dentro do ambiente escolar, ampliando o acesso à informação e à prevenção”, destaca.

Da política pública ao atendimento

No Hospital Geral de Fortaleza (HGF), unidade da Rede Sesa, por exemplo, o serviço de planejamento reprodutivo ilustra como a política pública se concretiza no atendimento direto à população. A atuação do serviço dialoga diretamente com a prevenção da gravidez na adolescência, ao ampliar o acesso à informação qualificada, aos métodos contraceptivos e ao acolhimento sem julgamento.

A enfermeira da unidade, Laiane Melo, explica que o planejamento reprodutivo é um direito assegurado por lei e garante a homens e mulheres a possibilidade de decidir livremente se desejam ter filhos, quantos filhos terão e em que momento da vida.

“O serviço oferece orientação qualificada sobre métodos contraceptivos, incluindo indicações, contraindicações e critérios de elegibilidade, garantindo escolhas informadas e adequadas à realidade de cada paciente”, comenta.

Para Laiane, esse cuidado exerce papel essencial na prevenção da gravidez na adolescência.

“Não se trata apenas de evitar uma gravidez, mas de garantir escolhas conscientes e possíveis para esses adolescentes. Planejar não é proibir. É dar informação e apoio para que cada adolescente possa decidir com autonomia”, ressalta.

Ela explica ainda que o atendimento é realizado por equipe multiprofissional, com momentos de acolhimento, apresentação dos métodos disponíveis, esclarecimento de dúvidas e entrevista individual para definição da estratégia mais adequada.

“A gente trabalha para que o adolescente se sinta acolhido e tenha informações claras para fazer escolhas conscientes, sem julgamento”, afirma.

O serviço integra a rede pública e funciona de maneira articulada com os demais pontos de atenção à saúde.

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