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Mutirão vai cumprir mil mandados de prisão contra agressores de mulheres

Foto: Reprodução

A poucos dias do Dia Internacional da Mulher, celebrado em 8 de março, o Comitê do Pacto Brasil entre os Três Poderes apresentou nesta quarta-feira (4) um plano de trabalho para enfrentar o feminicídio no país. Um dos principais pontos é a realização de um mutirão nacional para cumprir cerca de mil mandados de prisão contra agressores que ainda permanecem em liberdade em todo o Brasil.

O mutirão será coordenado nacionalmente pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP), em articulação com forças de segurança dos estados.

As medidas foram anunciadas durante o seminário Brasil pela Vida das Meninas e Mulheres, promovido pelo Conselho de Desenvolvimento Econômico Social Sustentável, o Conselhão, e pelo Ministério das Mulheres, no Palácio do Planalto. O evento contou com a participação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e de autoridades do governo federal, como as ministras Márcia Lopes (Mulheres) e Gleisi Hoffmann (Relações Institucionais), além de representantes de outros órgãos de Estado e da sociedade civil.

Entre os participantes, esteve a ativista brasileira Maria Penha Maia Fernandes, que após duas tentativas de feminicídio lutou para que seu agressor fosse condenado. A farmacêutica dá nome ao principal mecanismo de combate à violência doméstica e familiar contra a mulher no Brasil: a Lei Maria da Penha (nº 11.340/2006).

“De caráter dinâmico e sujeito a atualizações permanentes, o plano tem como foco prioritário três desafios: celeridade nas medida protetivas de urgência e responsabilização dos agressores; fortalecimento da rede de acolhimento e atendimento às mulheres em situação de violência; e mudança cultural para um país de segurança e paz para as mulheres”, informou o governo, em nota para detalhas as ações.

Instituído há cerca de um mês, o Pacto Nacional – Brasil contra o Feminicídio é uma iniciativa coordenada e permanente entre os Três Poderes com o objetivo de prevenir a violência contra meninas e mulheres no Brasil. O acordo reconhece que a violência contra mulheres no país representa uma crise estrutural que não pode ser enfrentada por medidas isoladas.

Rastreamento eletrônico

Além da realização de operações para cumprir mandados de prisão, o pacto anunciou a adoção de um sistema de rastreamento eletrônico para agressores cujas vítimas possuem medida protetiva e a criação do Centro Integrado Mulher Segura, que irá concentrar dados e monitoramento.

No âmbito do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), será feito um diagnóstico sobre as medidas protetivas de urgência. Pelo Ministério das Mulheres, serão implantados protocolos para registro e investigação do feminicídio, além do atendimento a meninas e mulheres vítimas de violência e a entrega de 52 unidades móveis das chamadas Salas Lilás Itinerantes, que funcionam como espaço de acolhimento e assistência a mulheres em situação de violência.

Também foi anunciada a abertura de novas unidades da Casa da Mulher Brasileira (CMB), sendo duas ainda em março e outras duas no segundo semestre. Ao menos seis Centros de Referência da Mulher Brasileira (CRMBs) também devem ser inaugurados ao longo do ano, segundo informou o governo.

Pelo Ministério da Saúde, a previsão é realizar 4,7 milhões de atendimentos psicológicos voltados à saúde mental de mulheres em situação de violência ao longo do ano.

Delegacias especializadas

O Comitê do Pacto Brasil entre os Três Poderes anunciou uma reunião com secretários estaduais de Segurança Pública para alinhar o atendimento às mulheres em situação de violência, com foco no fortalecimento das delegacias especializadas de atendimento às mulheres e na implantação de salas reservadas, ambas com funcionamento 24 horas, além da qualificação dos agentes de segurança no tema.

Outras medidas incluem a divulgação de uma campanha de conscientização voltada aos homens, articulada entre os Poderes, e o envio à Organização Mundial da Saúde (OMS) de pedido para criação do Código Internacional de Doenças (CID) com a classificação de feminicídio, a ser incluído nos atestados de óbito das vítimas. O objetivo é melhorar a vigilância, prevenção e produção de dados sobre as causas da morte de mulheres.

Também foi anunciada a ampliação da divulgação do “ZAP Delas”, canal de escuta, acolhimento e orientação disponível para mulheres em cargos públicos, candidatas, servidoras e demais vítimas de violência política de gênero.

Ligue 180

Em caso de violência contra a mulher, ligue gratuitamente 180.

A Central de Atendimento à Mulher – Ligue 180 oferece orientação, acolhimento e encaminhamento de denúncias. O atendimento também pode ser realizado pelo WhatsApp, no número (61) 99610-0180.

O serviço público e sigiloso funciona 24 horas por dia, todos os dias da semana, inclusive nos feriados e pode ser usado por mulheres em situação de violência ou qualquer pessoa que queira denunciar uma situação de violência contra a mulher.

A central também informa sobre direitos, garantias e serviços especializados.

Em casos de emergência, deve ser acionada a Polícia Militar do estado, por meio do telefone 190.

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