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Obesidade eleva risco de AVC e exige mudança de hábitos

Foto: Reprodução

A obesidade é considerada um dos principais fatores de risco para o Acidente Vascular Cerebral (AVC), principalmente o tipo isquêmico, provocado pela obstrução de uma artéria que leva sangue ao cérebro. O alerta é do médico neurologista Espártaco Ribeiro, coordenador da Unidade de AVC do Hospital Regional Norte (HRN), unidade da Secretaria da Saúde do Ceará (Sesa) em Sobral e referência no atendimento aos casos na Região Norte do estado.

Segundo o especialista, o excesso de peso favorece o acúmulo de gordura, ou seja, colesterol, especialmente os considerados “ruins”, como o colesterol LDL e os triglicerídeos nas artérias, prejudicando a circulação sanguínea.

“A obesidade pode ser considerada um grande fator de risco para o AVC. O acúmulo de colesterol ruim no nosso corpo acaba comprometendo a circulação no cérebro e pode favorecer a obstrução ou ‘entupimento’ de uma das artérias cerebrais”, explica.

Além de contribuir diretamente para a obstrução dos vasos sanguíneos, a obesidade costuma estar ligada a outras condições que ampliam ainda mais o risco de AVC. Entre elas, destacam-se a hipertensão arterial, o diabetes e as alterações do colesterol.

Outro ponto de atenção, de acordo com o médico, é a síndrome da apneia do sono, comum em pessoas com obesidade, que compromete a qualidade do sono e também afeta a saúde cardiovascular. Ele ainda chama a atenção para fatores emocionais, como a ansiedade descontrolada, que pode levar ao consumo exagerado de alimentos ultraprocessados e, consequentemente, ao aumento de peso.

Embora o risco aumente com o avanço da idade, pessoas jovens com obesidade também precisam ficar atentas. “Nos jovens, o excesso de peso pode estar relacionado ao aumento do colesterol, e isso também pode ser causa de AVC”, destaca Espártaco Ribeiro. Ele acrescenta que o problema na juventude tende a gerar um ciclo prejudicial, reduzindo a prática de atividades físicas e comprometendo a qualidade de vida ao longo dos anos.

Prevenção e atendimento rápido salvam vidas

A boa notícia é que a adoção de hábitos saudáveis diminui significativamente o risco. A orientação envolve reeducação alimentar, com acompanhamento profissional, e a prática regular de exercícios físicos.

“Quanto mais cedo forem iniciadas a educação alimentar e a prática de atividades físicas, melhor. Só a dieta não é suficiente. A prática regular de atividades físicas é essencial. Hoje, assim como a gente respira e se alimenta, a gente precisa também fazer atividade física”, afirma o neurologista.

Ele reforça que a disciplina é fundamental e que, conforme publicações recentes, a realização de 30 a 45 minutos de exercício, pelo menos cinco dias por semana, já traz benefícios importantes ao organismo.

Mesmo com a prevenção, é essencial reconhecer rapidamente os sinais de um AVC. Fraqueza em um lado do corpo, dificuldade para falar, boca desviada e dificuldade para engolir são sintomas que exigem atendimento imediato.

“Quanto mais rápido o AVC for tratado, menores serão as consequências e maior será a possibilidade de recuperação”, enfatiza.

Pacientes com suspeita devem ser levados ao atendimento emergencial preferencialmente nas primeiras horas após o início dos sintomas. Em Sobral, a referência é o Hospital Regional Norte. Moradores de outros municípios da Região Norte devem procurar a unidade de saúde local para que seja acionado o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu 192) Ceará, que fará contato com o HRN para transferência imediata ao setor especializado, reduzindo o tempo até o início do tratamento.

Referência para a região, a Unidade de AVC do HRN conta com fluxo específico para agilizar o atendimento e ampliar as chances de recuperação dos pacientes, reforçando a importância tanto da prevenção quanto da ação rápida diante dos primeiros sinais.

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