Diante da pressão provocada pela valorização internacional do petróleo, o Governo do Brasil anunciou um conjunto de medidas voltadas à redução do preço do óleo diesel e ao reforço da fiscalização no mercado de combustíveis. Segundo o governo, as iniciativas pretendem proteger consumidores, caminhoneiros e setores produtivos da economia, além de conter possíveis práticas especulativas e evitar aumentos considerados abusivos.
O pacote inclui a edição de uma Medida Provisória e três decretos presidenciais. As ações surgem em meio à forte instabilidade nos preços do petróleo no cenário internacional. A situação é impulsionada pelo conflito envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã, além das tensões na região do Estreito de Ormuz, rota estratégica por onde circula cerca de um quinto do petróleo consumido globalmente.

Entre as medidas está a redução a zero das alíquotas de PIS/Cofins incidentes sobre o diesel. Com isso, deixam de ser cobrados os dois tributos federais atualmente aplicados ao combustível, o que representa um impacto estimado de R$ 0,32 por litro. A decisão será formalizada por meio de decreto presidencial e tem como objetivo aliviar os custos de um insumo fundamental para o transporte de cargas, a produção agropecuária e o abastecimento das cidades.
Paralelamente, a Medida Provisória prevê a concessão de uma subvenção de R$ 0,32 por litro a produtores e importadores de diesel, valor que deverá ser repassado ao mercado. Somadas, as duas iniciativas podem gerar uma queda de R$ 0,64 por litro nas bombas. Um decreto específico regulamentará o pagamento da subvenção.
O texto da MP também prevê a possibilidade de aplicação de Imposto de Exportação como instrumento regulatório. A medida tem o objetivo de estimular o refino no mercado interno e assegurar o abastecimento nacional. Dessa forma, parte da renda adicional obtida com a valorização do petróleo no mercado internacional poderá ser compartilhada com a sociedade brasileira.

Outra mudança prevista amplia os mecanismos de fiscalização da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). A proposta busca fortalecer o combate a práticas que prejudiquem os consumidores, como aumentos abusivos de preços e retenção especulativa de estoques para provocar escassez ou elevar artificialmente o valor do combustível.
Um dos decretos também determinará que os postos de combustíveis adotem sinalização clara e visível informando aos consumidores a redução de tributos federais e o impacto da subvenção sobre o preço final.
De acordo com o Governo Federal, o pacote de medidas pretende evitar que os efeitos de uma crise externa recaiam exclusivamente sobre a população, caminhoneiros e setores produtivos. A expectativa é também conter pressões inflacionárias, sobretudo sobre alimentos, fretes e outros bens essenciais que dependem diretamente do transporte rodoviário.
Nesta quinta-feira (12/03), o vice-presidente Geraldo Alckmin se reunirá com representantes das principais distribuidoras privadas de combustíveis, responsáveis por cerca de 70% do mercado nacional. Participarão do encontro os ministros Rui Costa (Casa Civil), Wellington César (Justiça), Alexandre Silveira (Minas e Energia) e o secretário-executivo da Fazenda, Dario Durigan.
O objetivo é cobrar que o efeito das medidas seja efetivamente repassado ao consumidor nas bombas. Representantes da Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon) também devem participar da reunião para acompanhar o cumprimento das medidas.
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