Uma operação da Polícia Federal realizada nesta quinta-feira (12/03) resultou na prisão de cinco vereadores de Morada Nova, no interior do Ceará. A ação, denominada Operação Traditori, investiga um esquema de financiamento ilícito de campanhas eleitorais com recursos supostamente ligados a uma facção criminosa. Entre os detidos estaria o presidente da Câmara Municipal, Hilmar Sérgio (PT), segundo informações preliminares.
Outros parlamentares citados estão: Lúcia Gleidevania Rabelo (PT), conhecida como Gleide Rabelo e secretária da mesa diretora; Claudio Roberto Chaves da Silva (PT), o Cláudio Maroca; José Regis Nascimento Rumão (PP); e José Gomes da Silva Júnior (PSB), o Júnior do Dedé.
No caso de Júnior do Dedé, embora tenha sido eleito vereador em 2024, ele está licenciado do cargo. Desde setembro de 2025, ocupa a função de secretário de Administração da Prefeitura de Morada Nova. As defesas dos parlamentares citados não foram localizadas até o momento.
Diante da operação policial, a Câmara Municipal de Morada Nova, composta por 15 vereadores, anunciou a suspensão das atividades nesta quinta-feira. O prédio do Legislativo foi um dos alvos de mandados de busca e apreensão cumpridos pela Polícia Federal.

A vice-presidente da Câmara, vereadora Jane Martins (PDT), informou que a sessão legislativa chegou a ser iniciada, mas precisou ser encerrada logo em seguida por falta de quórum. A parlamentar não comentou as prisões. Em nota oficial, a Prefeitura de Morada Nova declarou que não é alvo das investigações e afirmou não possuir envolvimento com os fatos apurados.
“A Prefeitura reafirma seu respeito às instituições e ao trabalho das autoridades responsáveis pela investigação, confiando que os fatos serão devidamente apurados dentro do devido processo legal”, diz o texto.
Além das prisões, a investigação também cita como alvo Marco Antônio de Araújo Bica Júnior, conhecido como Marco da Ana ou Marco Bica, atual superintendente da Superintendência de Obras Hidráulicas (Sohidra), vinculada ao Governo do Estado. Ele não foi preso. Marco Bica foi candidato à Prefeitura de Morada Nova pelo PT nas eleições de 2024, mas não foi eleito.
Antes disso, atuou como vereador no município e presidiu a Câmara Municipal nos anos de 2021 e 2022. Ao longo da trajetória política, ele também exerceu funções como procurador-geral do município, diretor do núcleo do Procon da Câmara de Morada Nova e procurador-geral adjunto da União dos Vereadores do Ceará (UVC). A defesa dele também não foi localizada.
Sobre o caso, a Sohidra informou que realiza uma análise interna para apurar os fatos relacionados ao servidor. Segundo o órgão, eventuais medidas serão divulgadas oficialmente após a conclusão dessa avaliação. “As informações estão sendo avaliadas e, assim que houver definição sobre as medidas cabíveis, elas serão comunicadas oficialmente”, pontua.
Investigação
De acordo com a Polícia Federal, a investigação aponta que campanhas eleitorais nas eleições municipais de 2024 teriam sido financiadas com recursos provenientes de uma facção criminosa. Em troca, os agentes públicos investigados teriam oferecido vantagens políticas e institucionais aos integrantes do grupo.
No total, a Operação Traditori cumpriu 16 mandados de prisão preventiva e 30 mandados de busca e apreensão em residências, empresas e na sede da Câmara Municipal. As ordens judiciais foram expedidas pela 93ª Zona Eleitoral de Fortaleza.

As diligências ocorreram em diversos municípios, incluindo Fortaleza, Chorozinho, Morada Nova, Limoeiro do Norte e Pedra Branca, no Ceará, além da cidade de São Paulo (SP). Segundo a Polícia Federal, os vereadores presos também foram afastados de suas funções públicas.
A Justiça Eleitoral determinou ainda o bloqueio e sequestro de bens e valores, com o objetivo de interromper o fluxo financeiro da organização criminosa e garantir a efetividade da investigação. As apurações começaram após o compartilhamento de informações entre a Delegacia de Morada Nova e o Departamento de Polícia do Interior Sul, que identificaram indícios da atuação de uma facção criminosa nas eleições municipais de 2024.
Conforme a Polícia Federal, as investigações revelaram um esquema estruturado de movimentação e ocultação de recursos ilícitos, utilizados posteriormente para financiar campanhas eleitorais no município. Entre os crimes investigados estão lavagem de dinheiro, organização criminosa, tráfico de drogas e crimes eleitorais.
A operação é conduzida pela Força Integrada de Combate ao Crime Organizado no Ceará (Ficco-CE), que reúne a Polícia Federal, Polícia Civil do Ceará, Polícia Militar do Ceará, Secretaria da Administração Penitenciária e Ressocialização, Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social e a Perícia Forense do Estado (Pefoce).
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