A produção industrial do Ceará iniciou 2026 em queda, contrariando o movimento observado no cenário nacional. Dados divulgados nesta sexta-feira (13/03) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), por meio da Pesquisa Industrial Mensal – Produção Física Regional (PIM-PF), mostram que o setor no estado recuou 2,5% na passagem de dezembro de 2025 para janeiro de 2026, considerando a série com ajuste sazonal.
No mesmo período, a indústria brasileira registrou crescimento de 1,8%. Com o resultado, o Ceará aparece entre as maiores retrações do país no início do ano, ao lado de Rio Grande do Sul (-4,5%) e Espírito Santo (-4,3%). A diferença entre os desempenhos estadual e nacional se torna ainda mais evidente na comparação com janeiro do ano passado.
Enquanto a produção industrial brasileira apresentou leve variação positiva de 0,2% frente a janeiro de 2025, o setor no Ceará registrou queda de 7,5%. No indicador de média móvel trimestral encerrado em janeiro, o estado também manteve trajetória negativa, com recuo de 2,2%, enquanto a média nacional apresentou variação de -0,1%.

O desempenho cearense no índice mensal, considerando a comparação com janeiro de 2025, foi influenciado sobretudo pela retração em setores estratégicos da indústria. Entre as atividades com maiores quedas estão a fabricação de máquinas, aparelhos e materiais elétricos (-28,4%), a produção de têxteis (-24,0%) e a fabricação de alimentos (-14,9%). Também registraram reduções a fabricação de bebidas (-11,2%), a preparação de couros e fabricação de artefatos de couro (-10,0%) e a produção de produtos de metal, exceto máquinas e equipamentos (-6,8%).
Apesar do cenário de retração, alguns segmentos industriais apresentaram crescimento no período. Entre eles estão a fabricação de coque, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis, com alta de 20,6%; a produção de produtos químicos, com avanço de 7,2%; e a fabricação de minerais não metálicos, que cresceu 4,1%. A confecção de artigos do vestuário e acessórios também apresentou variação positiva, ainda que modesta, de 0,6%.
No acumulado dos últimos 12 meses, o indicador reforça a desaceleração da atividade industrial no estado. Enquanto a indústria nacional apresentou crescimento de 0,5% nesse intervalo, o setor industrial do Ceará registrou retração de 1,3%.
De acordo com o IBGE, o avanço de 1,8% da produção industrial brasileira em janeiro reflete, em parte, um movimento de recuperação após as perdas registradas no fim de 2025. Ainda assim, fatores como a manutenção de taxas de juros elevadas e a restrição de crédito continuam limitando o ritmo de investimentos no setor produtivo em todo o país.
Pesquisa
A Pesquisa Industrial Mensal – Produção Física Regional acompanha, desde a década de 1970, indicadores de curto prazo do desempenho das indústrias extrativas e de transformação no Brasil. O levantamento apresenta, mensalmente, índices para 17 unidades da federação, entre elas o Ceará, além da Região Nordeste, considerando estados cuja participação representa ao menos 0,5% do valor da transformação industrial nacional.
Acompanhe mais notícias da Rede ANC através do Instagram, Spotify ou da Rádio ANC.


