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Data center do TikTok e parques eólicos entram em debate no Baixo Jaguaribe

A 87ª Reunião Ordinária do Comitê da Sub-bacia Hidrográfica do Baixo Jaguaribe foi realizada nesta quinta-feira (12/03), na Escola Estadual de Educação Profissional (EEEP) Lúcia Baltazar Costa, em Limoeiro do Norte. Durante o encontro, representantes das instituições que compõem o colegiado debateram os impactos socioambientais de grandes empreendimentos instalados ou previstos para o Ceará, como data centers e parques de geração de energia eólica e solar.

Entre os temas apresentados, a secretária executiva da Indústria da Secretaria do Desenvolvimento Econômico (SDE), Brígida Miola, destacou o projeto de implantação do data center do TikTok no Complexo Industrial e Portuário do Pecém. Segundo ela, o empreendimento envolve investimento superior a R$ 200 bilhões e deve posicionar o Ceará como um hub de tecnologia voltado à inteligência artificial na América Latina.

A expectativa é que o projeto gere milhares de empregos diretos e indiretos, tanto na fase de construção quanto na de operação, além de estimular a chegada de novos investimentos por meio do chamado efeito “cluster”. Ainda de acordo com a representante da SDE, a iniciativa prevê o uso de energia 100% renovável.

Data center do TikTok e parques eólicos entram em debate no Baixo Jaguaribe
Foto: Divulgação

Apesar do potencial econômico, membros do comitê manifestaram preocupação com possíveis impactos socioambientais associados a esses empreendimentos. Entre os pontos levantados estão o elevado consumo de água em uma região historicamente marcada por períodos de estiagem e a demanda crescente por energia elétrica, especialmente diante da expansão prevista de parques solares e eólicos entre os municípios de Aracati e Icapuí.

Também foram mencionados entraves no processo de licenciamento ambiental de algumas obras, além de questionamentos quanto à participação das comunidades locais nas discussões sobre impactos ambientais. Por exemplo, o desmatamento de áreas de vegetação nativa.

Como encaminhamento, os integrantes do colegiado acordaram realizar uma nova reunião na sede da SDE, com a participação de uma comissão formada por membros do comitê. O intuito é discutir alternativas que possam minimizar os efeitos socioambientais desses empreendimentos.

Recuperação do riacho Araibú

Durante a reunião, o presidente da Companhia de Gestão dos Recursos Hídricos (Cogerh), Yuri Castro, apresentou o projeto de recuperação do riacho Araibú, localizado no município de Russas. A iniciativa inclui ações de requalificação do leito do riacho e a construção de um barramento de pedras no leito do braço seco do rio Jaguaribe.

Data center do TikTok e parques eólicos entram em debate no Baixo Jaguaribe
Foto: Zé do Drone

Segundo ele, a intervenção permitirá direcionar parte das águas provenientes das chuvas registradas na região abaixo dos açudes Banabuiú e Castanhão para a perenização do riacho Araibú. A medida deve contribuir para a recarga do lençol freático local, fundamental para atividades econômicas da região, como a carcinicultura e a agropecuária, que dependem do uso de água subterrânea.

Operação do Castanhão

Outro tema discutido foi o balanço parcial da operação 2026.1 do açude Castanhão, apresentado pelo gerente regional da Cogerh, Hermilson Barros. Para o período de 1º de fevereiro a 30 de junho de 2026, foi aprovada vazão média de 16 m³/s.

Desse total, 9 m³/s são destinados ao Eixão das Águas, incluindo a transferência de 6 m³/s para a Região Metropolitana de Fortaleza. Outros 7 m³/s são voltados à perenização do rio Jaguaribe.

Data center do TikTok e parques eólicos entram em debate no Baixo Jaguaribe
Foto: Divulgação

Até o momento, a média efetiva da operação está em 12,816 m³/s, sendo 5,746 m³/s direcionados ao Eixão das Águas e 7,07 m³/s ao rio Jaguaribe. Em 10 de março de 2026, o açude Castanhão registrava volume de 1,499 bilhão de m³, equivalente a 22,37% de sua capacidade total. O reservatório apresentou ainda aumento de 1,70 metro na cota, correspondente a um acréscimo de 224,881 milhões de m³, resultado dos aportes registrados entre fevereiro e o início de março.

Intervenção no rio Jaguaribe

Durante o encontro também foi apresentada a situação de um empreendimento de carcinicultura em Limoeiro do Norte que realizou intervenção com derivação no leito do rio Jaguaribe. Diante do caso, o comitê deliberou encaminhar solicitação à Secretaria dos Recursos Hídricos (SRH) para verificar a regularização da outorga relacionada à obra de interferência hídrica.

Além disso, será solicitado à Superintendência Estadual do Meio Ambiente (Semace) esclarecimentos sobre o processo de licenciamento ambiental do empreendimento.

Quadra chuvosa

A reunião contou ainda com apresentação da Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme), que divulgou um balanço parcial da quadra chuvosa de 2026 e o prognóstico climático para os meses de março, abril e maio.

De acordo com a previsão, há 20% de probabilidade de chuvas acima da média, 40% de ocorrência dentro da média histórica e 40% de possibilidade de precipitações abaixo da média no período.

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