A adaptação à Reforma Tributária já integra a rotina de planejamento das micro e pequenas empresas (PMEs), mas ainda ocorre de forma gradual. Dados da sexta edição do Panorama PME, elaborado pela Serasa Experian, mostram que 42% dos negócios ainda analisam como as mudanças podem impactar suas operações.
O levantamento indica que, apesar de o tema ganhar espaço no ambiente empresarial, parte dos empreendedores ainda busca compreender como aplicar, na prática, a nova estrutura tributária. Entre os principais pontos em avaliação estão revisão de preços, projeções de margem e ajustes em processos internos.
De acordo com o cenário observado, as respostas apontam para um período de transição marcado por diferentes níveis de preparo e expectativas sobre os efeitos da reforma no ambiente de negócios. Nesse contexto, 40% das PMEs afirmam não saber em que estágio de preparação se encontram, o que evidencia a necessidade de diagnóstico mais estruturado.

Em contrapartida, 17% das empresas já implementaram a maior parte das mudanças necessárias, enquanto 15% iniciaram ações práticas e planejamento. Outros 14% estão em fase de estudo e igual percentual ainda não começou a se preparar.
“A Reforma Tributária representa uma mudança estrutural relevante para o ambiente de negócios no país e sabemos que é um tema complexo, que ainda gera muitas dúvidas no empreendedor brasileiro. Os dados mostram que as PMEs estão acompanhando esse movimento, mas em diferentes estágios de adaptação. Nosso compromisso é traduzir essas mudanças em linguagem simples e oferecer ferramentas práticas para que as empresas façam essa transição com segurança e previsibilidade”, afirma Cleber Genero, vice-presidente de pequenas e médias empresas da Serasa Experian.
A proposta de reforma prevê a substituição gradual de tributos como PIS, Cofins, ICMS e ISS por um modelo dual de Imposto sobre Valor Agregado (IVA). Esse novo sistema será composto pela Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS), de competência federal, e pelo Imposto sobre Bens e Serviços (IBS), compartilhado entre estados e municípios. A fase de transição terá início em 2026, em caráter experimental, e seguirá até 2033, período em que os dois modelos coexistirão.
Obstáculos
Desafios operacionais e financeiros aparecem como principais entraves na adaptação. Entender as novas regras é apontado como a maior dificuldade por 20% das empresas, seguido pela necessidade de avaliar impactos em custos, preços e margens (18%). Outros pontos de atenção incluem o cumprimento correto das obrigações fiscais (17%) e o acompanhamento das mudanças regulatórias (16%).

Ajustes em sistemas e softwares, bem como a capacitação de equipes, são citados por 11% dos respondentes, cada. Já 10% destacam a importância de monitorar regulamentações futuras, enquanto 9% mencionam a organização de informações para o período de transição e 8% apontam a comunicação com clientes e fornecedores como desafio.
Perfil
O perfil dos participantes reforça o protagonismo dos pequenos negócios: 39% dos respondentes são microempreendedores individuais (MEIs), 20% microempresas e 12% empresas de pequeno porte. Também participaram empresas médias (11%) e grandes (19%).
Em relação ao regime tributário, 46% das empresas estão enquadradas no Simples Nacional, que seguirá com tratamento diferenciado no novo modelo. A dinâmica de créditos ao longo da cadeia tende a exigir maior atenção das PMEs nas relações comerciais. Entre os demais participantes, 10% adotam o Lucro Real e 9% o Lucro Presumido.
Setorialmente, predominam empresas de Serviços (45%) e Comércio (39%), seguidas pela Indústria (16%). Regionalmente, o Sudeste concentra a maior parte dos respondentes (36%), seguido por Sul (23%), Nordeste (15%), Norte (14%) e Centro-Oeste (10%).
A pesquisa
O estudo integra a sexta edição do Panorama PME, boletim trimestral que reúne dados proprietários da Serasa Experian e informações de mercado sobre o segmento. O material também aborda aspectos como perfil empresarial, atividade econômica — incluindo emprego, demanda, oferta e acesso ao crédito — além de indicadores de inadimplência e insolvência.
A pesquisa foi realizada entre dezembro de 2025 e fevereiro de 2026, com a participação de 1.032 empresas de diferentes portes e setores em todo o país.
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