Duas facções criminosas, a Guardiões do Estado (GDE) e o Comando Vermelho (CV), são citadas no inquérito da Polícia Federal (PF) que apura um esquema de corrupção em prefeituras, com desvio de emendas parlamentares para compra de votos. Encaminhado ao Supremo Tribunal Federal (STF) em janeiro, o relatório está sob relatoria do ministro Gilmar Mendes.
Entre os episódios investigados, consta uma tentativa de homicídio ocorrida no município de Canindé antes das eleições de 2024. Conforme a PF, o crime teria sido executado por integrantes da GDE e teria como mandante o empresário Maurício Gomes Coelho, proprietário da MK Empreendimentos.
Apontado como pessoa de confiança de Carlos Alberto Queiroz, o Bebeto do Choró, Coelho aparece vinculado ao ex-prefeito, que está foragido da Justiça há mais de um ano. A investigação também indica proximidade entre Bebeto e o deputado federal Júnior Mano (PSB), que nega envolvimento.

Ao longo das quase 400 páginas do inquérito, Bebeto é descrito como operador político do parlamentar. Sua função seria intermediar a distribuição de recursos desviados de emendas para viabilizar a compra de votos.
Como estratégia, o grupo buscaria garantir a eleição de aliados em municípios considerados estratégicos, como Canindé, sem restringir a atuação a uma única localidade. Nesse contexto, a PF afirma ter apreendido em posse de Júnior Mano uma lista com cerca de 50 prefeituras com as quais ele manteria articulações ao lado de Bebeto.
No funcionamento do esquema, as facções criminosas teriam papel decisivo ao atuar como braço armado, assegurando exclusividade de campanha em áreas sob sua influência e intimidando adversários políticos. Na avaliação dos investigadores, não há dúvida de que Bebeto exercia posição central, sendo apontado como líder e principal responsável pelas decisões, com atuação direta na manipulação de recursos ilícitos e na articulação da compra de votos em Choró e Canindé.
Outro ponto destacado no inquérito envolve a apreensão de um documento considerado sensível na posse do deputado Júnior Mano, alvo de mandado de busca e apreensão em Brasília no ano de 2025. De acordo com a PF, o material trata da pré-candidatura de um indivíduo possivelmente ligado ao Comando Vermelho, conforme indicado no próprio conteúdo do documento.
Originado na Promotoria Eleitoral de Pindoretama e encaminhado à Polícia Federal em julho de 2024, o ofício solicitava a abertura de procedimento para apurar eventual vínculo de um candidato a deputado estadual com facção criminosa. Para os investigadores, a presença desse tipo de material com o parlamentar não encontra justificativa plausível dentro de suas funções institucionais, o que levanta questionamentos sobre o interesse nas informações.
Já nas fases iniciais da investigação, a Polícia Militar havia registrado indícios de apoio de facção criminosa às pretensões eleitorais de Bebeto em Choró. Segundo a PF, isso demonstra que a associação entre compra de votos e atuação de grupos criminosos já estava em curso desde o primeiro semestre de 2024.
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