
De acordo com o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), as convenções partidárias terão início no dia 20 de julho. Esse evento deverá marcar a definição dos rumos dos partidos em 2026. Até lá, as agremiações devem montar suas articulações nos bastidores para a melhor estratégia dentro da disputa deste ano. Um dos pontos que deve repercutir nas decisões será a chamada “Cláusula de Barreira”. Quem não atingir o estabelecido por essa medida não fica impossibilitado de lançar candidatos, mas, na prática, se tornam partidos enfraquecidos.
De olho numa possibilidade que se apresenta no cenário local, partidos como PT e PSB enxergam o atual momento como uma oportunidade de ampliação de suas bases no Ceará. A expectativa das siglas é se apresentar como partidos atrativos e, assim, conquistar membros de outros grupos que hoje correm esse risco de enfraquecimento.
Articulações do PSB
Vice-líder do PSB na Assembleia Legislativa do Estado do Ceará, o deputado Guilherme Bismarck repercutiu uma reunião realizada entre o seu partido e o PT. De acordo com o parlamentar, ampliar a base desses dois partidos significa fortalecer o projeto que hoje é encabeçado pelo governador Elmano de Freitas (PT).
“Vamos conversar e tentar trazer pessoas de outros blocos. Antigamente, se faziam vários pequenos partidos para ter uma votação um pouco menor, você entrava só por causa da força do partido. Fizemos uma reunião partidária e mostramos quem os grandes partidos que existem no Ceará, com as duas maiores bancadas, são PSB e PT […]
É natural que as pessoas nesse mês decisivo se coloquem como pré-candidatas. Vamos convidar e fazer um alinhamento dessa chapa, que é a grande base do nosso governador Elmano”, destacou.
Como atingir a Cláusula de Barreira?
Alguns dos prejuízos para quem não atingir a cláusula de barreira são acessos limitados a recursos públicos e redução no tempo de rádio e TV. Na prática, esta cláusula serve para reduzir a quantidade de partidos pequenos sem representatividade no Congresso. A expectativa é que até 2030 essa regra esteja mais rígida. No momento, para cumprir os índices exigidos, os partidos devem ter pelo menos 2% dos votos válidos nacionais para deputados federais. Além disso, essa votação deve estar distribuída em no mínimo 9 Estados.
Como já mencionado anteriormente, a cláusula não impossibilita o partido, mas o enfraquece a ponto de levar a agremiação à extinção. Foi que já aconteceu com os seguintes partidos: PPL, PRP, PHS, Pros, PSC, Patriota e PTB. Uma outra alternativa para se atingir a cláusula de barreira é possuir pelo menos 11 deputados federais, também distribuídos em 9 Estados do Brasil.
Até esta altura de 2026, os seguintes partidos não atingiram as metas necessárias:
- PCO
- PCB
- PSTU
- UP
Pelo menos oito partidos de pequeno e médio porte estão “na corda bamba” e podem enfrentar dificuldades para atingir a cláusula, dependendo do desempenho eleitoral em 2026:
- PSDB
- PRD
- Cidadania
- Avante
- Partido Novo
- PDT
- Podemos
- Partido Missão
Como “driblar” a Cláusula?
Como estratégica, os partidos tendem a se unir para “driblar” essa exigência. É neste momento que entram as chamadas “Federações Partidárias”. Nelas, os partidos se unem por 4 anos e funcionam como um só.
Além desse método, alguns partidos optam pela incorporação ou fusão (um partido se junta a outro maior), ou ainda pela migração de quadros, que é quando políticos saem de partidos menores e vão para siglas maiores.
Reflexos de federações ou migrações na política cearense
No Ceará, por exemplo, deputados estaduais que hoje fazem parte do PDT e do União Brasil articulam uma ida para o PSDB. “Todos os deputados que hoje fazem parte da oposição, com exceção de alguns, irão migrar para o PSDB. Serei um tucano”, declarou o deputado estadual Heitor Férrer (União Brasil), em entrevista ao podcast “Sem Arrodeio”, da ANC.
Porém, na avaliação de algumas figuras públicas, nem sempre a formação de federações ou a migração política é vantajosa, mesmo que essa articulação livre os partidos das limitações impostas pela Cláusula de Barreira. Essa foi a visão exposta por Alexandre Pereira, presidente do Cidadania no Ceará.
Em junho de 2025, no “Café da Oposição”, o ex-secretário de Turismo de Fortaleza definiu como “muito ruim” a federação formada entre seu partido e o PSDB.
“Aqui no Ceará estamos absolutamente no momento novo. A federação com o PSDB foi muito ruim, tanto em nível estadual como no nacional. Quando se desfaz a federação com o PSDB, começamos um partido novamente do zero. Vamos aguardar essas definições dos próximos passos e ver quais são as estratégias que a gente vai tomar para 2026”, destacou.
Atualmente, existem duas federações vigentes no Brasil. Uma delas é formada pelo PCdoB e o PV (integrantes da Federação Brasil da Esperança, com o PT). A segunda é a Rede Sustentabilidade, federada ao PSOL.
No cenário cearense, esse movimento tende a redesenhar a composição das chapas para 2026, fortalecendo partidos maiores e reduzindo o espaço das siglas menores. A cláusula de barreira, nesse contexto, funciona não apenas como regra eleitoral, mas como um fator decisivo na reorganização das forças políticas no Estado e no Brasil.
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