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Tratamento no SUS reduz mortalidade em casos de transfusão feto-fetal

A realização de uma cirurgia fetal minimamente invasiva pelo Sistema Único de Saúde (SUS) tem ampliado as chances de sobrevivência de bebês diagnosticados com uma condição rara que afeta gestações gemelares. O procedimento, oferecido pela Maternidade-Escola Assis Chateaubriand (Meac), vinculada à Universidade Federal do Ceará (UFC) e ao HU Brasil, eleva para até 90% a probabilidade de sobrevida em casos da Síndrome de Transfusão Feto-Fetal (STFF).

A técnica, considerada padrão-ouro no tratamento da síndrome, consiste em uma intervenção a laser que interrompe conexões vasculares anormais na placenta. Essas ligações, chamadas de anastomoses, provocam um desequilíbrio no fluxo sanguíneo entre os fetos em gestações monocoriônicas, que é quando gêmeos idênticos compartilham a mesma placenta.

De acordo com o coordenador do Serviço de Medicina e Cirurgia Fetal da Meac, Herlânio Carvalho, a STFF atinge cerca de 15% dessas gestações. Sem tratamento, a condição pode levar à morte de até 85% dos fetos.

Tratamento no SUS reduz mortalidade em casos de transfusão feto-fetal
Imagem: Comunicação HU Brasil

“A condição é causada por conexões vasculares anormais (anastomoses) na placenta, que criam um desequilíbrio no fluxo sanguíneo: um bebê (doador) passa sangue continuamente para o outro (receptor). Sem tratamento, a taxa de mortalidade pode chegar a 85% para ambos os fetos”, explica.

As consequências clínicas diferem entre os fetos. O chamado doador tende a apresentar anemia, redução do volume sanguíneo e diminuição da produção de urina, o que resulta em baixa quantidade de líquido amniótico. Já o receptor recebe sangue em excesso, o que pode sobrecarregar o coração e evoluir para insuficiência cardíaca, além de provocar polidrâmnio, que é o aumento excessivo do líquido amniótico, associado ao risco de parto prematuro.

Com a cirurgia fetal, realizada por meio de laser, é possível separar a circulação sanguínea dos gêmeos, interrompendo o desequilíbrio. Segundo especialistas, o procedimento garante entre 80% e 90% de chance de sobrevivência para pelo menos um dos bebês e de 60% a 70% para ambos.

Tratamento no SUS reduz mortalidade em casos de transfusão feto-fetal
Foto: Comunicação HU Brasil

O diagnóstico da síndrome é feito por ultrassonografia, principalmente entre a 16ª e a 26ª semana de gestação, período considerado mais crítico. A detecção precoce e o encaminhamento imediato para centros especializados são fatores decisivos para o sucesso do tratamento.

Para o gerente de Atenção à Saúde da Meac, Edson Lucena, a atuação da unidade reforça a importância da medicina fetal de alta complexidade no SUS. Segundo ele, a intervenção altera o curso natural de uma condição grave e amplia as chances de sobrevida.

“A experiência fortalece o papel da Meac na assistência, ensino e pesquisa em medicina fetal, além de contribuir para a expansão de programas especializados no cuidado de gestações de alto risco no Brasil”, pontua.

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