Dados da Organização Mundial da Saúde apontam que cerca de 35% da população brasileira convive com algum tipo de alergia. Entre elas, as alimentares se destacam como as mais comuns, conforme o Ministério da Saúde, o que acende um alerta especialmente durante períodos festivos como a Semana Santa.
Durante a celebração, alimentos tradicionais como peixes, frutos do mar, preparações com coco e chocolate passam a compor as refeições. No entanto, ingredientes como crustáceos, leite de vaca, amendoim, soja e castanhas estão entre os principais causadores de reações alérgicas e exigem atenção redobrada.

Orientações médicas indicam que a identificação precoce dos sintomas é essencial para evitar complicações. “Em casos mais leves, como coceira na pele, coriza ou desconforto inicial, podem ser utilizados anti-histamínicos [antialérgicos], que ajudam a controlar os sintomas. Já nas reações mais graves, pode ser necessário o uso de corticoides, broncodilatadores e adrenalina intramuscular, principalmente quando há dificuldade para respirar, sensação de aperto no peito ou tontura. Nesses casos, a orientação é procurar atendimento imediato ou acionar o Samu (192)”, explica o médico alergista e imunologista Danilo Gois Gonçalves, do Hospital Geral de Fortaleza (HGF).
Aspectos culturais e sociais também marcam a alimentação na Semana Santa. Nesse sentido, medidas preventivas são fundamentais para evitar reações. A orientação é não preparar alimentos alergênicos ou, quando isso não for possível, separar utensílios, superfícies e ingredientes. A contaminação cruzada, que é a transferência involuntária de substâncias alergênicas entre alimentos, é um dos principais riscos.
“Panelas, colheres, panos, superfícies, óleo de preparo dos alimentos. Pequenas quantidades já são suficientes para provocar reação. (…) É possível, por exemplo, optar por peixes em vez de frutos do mar, preparar receitas sem leite ou sem determinados ingredientes alergênicos e até incentivar que a própria pessoa leve um prato seguro para compartilhar. O mais importante é garantir que todos possam participar com tranquilidade”, comenta Silvana Souto, nutricionista do HGF.

O consumo de chocolate, comum na Páscoa, também demanda cuidado. Produtos veganos podem ser uma alternativa mais segura para pessoas com alergias a leite, ovos ou soja, por não conterem ingredientes de origem animal. Excessos alimentares, por outro lado, podem afetar mesmo quem não possui alergias.
Preparações com leite de coco são mais calóricas, o consumo exagerado de chocolate pode causar desconfortos gastrointestinais e o bacalhau requer dessalgue adequado, especialmente para pessoas com hipertensão. Indivíduos com diabetes, refluxo ou enxaqueca também devem manter atenção.
Atendimento médico
No Hospital Geral de Fortaleza, o ambulatório de imunologia funciona às quintas-feiras, à tarde, enquanto o de alergia atende às sextas-feiras, durante todo o dia. O acesso ocorre por meio de encaminhamento via regulação da Sesa, geralmente a partir das Unidades Básicas de Saúde (UBSs) ou por médicos de outras especialidades.
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