
Na manhã desta quarta-feira (1), equipes da Secretaria dos Direitos Humanos do Ceará (Sedih) realizaram atendimento a tripulantes de um navio africano que esteve à deriva por quase dois meses. O grupo chegou à capital cearense após enfrentar problemas com a embarcação e consequentes dificuldades, como escassez de alimentos e acesso limitado à comunicação.
As equipes da Secretaria fizeram a triagem da tripulação, identificando as necessidades iniciais de cada pessoa para que fossem realizados os devidos encaminhamentos. Por meio de uma atuação interinstitucional, o grupo está sendo acompanhado em Fortaleza para garantir a dignidade humana durante todo o período em que permanecer na capital.
Com a atuação da Sedih, os tripulantes receberam atendimento psicossocial e orientações migratórias, a partir da identificação das demandas de cada caso. Dos 11 tripulantes, nove são de Gana, um da Holanda e um da Albânia. O grupo também vem sendo acompanhado pela Sedih e demais instituições para assegurar alimentação, kits de higiene, água potável, acesso à saúde e a possibilidade de contato com as famílias.
O navio, que estava à deriva devido a uma falha no sistema hidráulico, foi resgatado em operação da Marinha do Brasil e atracou no Porto de Fortaleza, no Ceará, no último dia 27 de março. A Sedih foi acionada pela Delegacia de Migração da Polícia Federal (Delemig-CE) para atuação conjunta na garantia de direitos.
Atualmente atuando como capitão da embarcação, J.W., de 45 anos, destaca o acolhimento recebido das autoridades brasileiras, que tem possibilitado ao grupo enfrentar o período de instabilidade com maior apoio.
“Até esse momento eu só tenho de ser grato às autoridades brasileiras, especialmente ao Centro de Coordenação de Salvamento Marítimo (MRCC). Eles fizeram um trabalho incrível porque houve um momento em que não sabíamos se ia ser possível ficarmos vivos. Estar recebendo esse acompanhamento é um grande alívio porque estamos a muito tempo longe das nossas famílias e tem sido muito estressante, não tem sido fácil”, afirmou J. W.
O Ceará conta com a Política Estadual para Migrantes, Refugiados e Apátridas e Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas, executada por meio do Posto Avançado de Atendimento Humanizado ao Migrante (PAAHM) e do Núcleo de Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas (NETP) da Sedih.
“A atuação da Secretaria dos Direitos Humanos está sempre pautada em garantir a dignidade para todas as pessoas, sendo elas cearenses ou migrantes que chegam ao nosso território. O Estado do Ceará trabalha diretamente com a política migratória para que, em casos como esses, possamos contribuir com uma migração segura e ordenada”, reforça a secretária dos Direitos Humanos, Socorro França.
A Política Estadual, instituída pelo governador Elmano de Freitas em 2025, assegura a articulação da rede de atendimento e proteção, o acompanhamento por equipe multidisciplinar, a orientação para acesso à documentação básica e à regularização migratória, além da promoção de capacitações, cursos e campanhas sobre os temas. Também prevê a integração de esforços com os sistemas de justiça, defesa social e demais órgãos que atuam na área.


