Mesmo com maior escolaridade, as mulheres no Ceará continuam recebendo remunerações inferiores às dos homens. Dados do Censo Demográfico 2022, divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), indicam que a população feminina no Estado ganha, em média, cerca de 10% a menos, embora concentre níveis mais elevados de instrução.
No recorte por escolaridade, os dados mostram as diferenças entre homens e mulheres. Entre a população com 18 anos ou mais, 35,63% das mulheres possuem ensino médio completo ou superior incompleto. Já entre os homens da mesma faixa etária, a maior parcela (41,37%) não tem instrução ou não concluiu o ensino fundamental.

A presença feminina se mantém majoritária também nos níveis mais altos de ensino. No Ceará, seis em cada dez pessoas com diploma de ensino superior são mulheres.
Salário
Apesar do avanço educacional, a desigualdade persiste no mercado de trabalho. Segundo o IBGE, as mulheres recebem, em média, R$ 1.857,36, enquanto os homens ganham R$ 2.052,61. A diferença acompanha a tendência nacional, onde a remuneração masculina é, em média, 19,55% superior à feminina.
A disparidade também varia conforme o segmento. Enquanto no setor privado a diferença salarial entre homens e mulheres é menor, com nível de equidade de 97,86%, no setor público as servidoras recebem, em média, 22,36% a menos. Esse cenário pode estar relacionado à predominância masculina em cargos de liderança.
Formação
De acordo com especialistas, a concentração de mulheres em setores historicamente menos valorizados contribui para a diferença salarial. No Ceará, 78% das mulheres com ensino superior estão formadas em áreas como educação, saúde, bem-estar e serviços sociais. Entre os homens, 71% estão em cursos ligados às ciências exatas.

Essa divisão é associada ao fenômeno conhecido como segregação ocupacional, que afasta as mulheres de áreas com maior remuneração. Entre elas: ciência, tecnologia, engenharia e matemática.
Dupla jornada
Além da formação, a sobrecarga de responsabilidades domésticas também impacta a inserção e permanência das mulheres no mercado de trabalho. No Ceará, a liderança feminina em lares monoparentais representa um fator adicional de limitação profissional. Dados do Censo indicam que mulheres tendem a buscar empregos mais próximos de casa, com deslocamentos médios entre seis e 30 minutos, como forma de conciliar trabalho e cuidados familiares.
Dessa forma, essa realidade leva muitas trabalhadoras a optarem por ocupações mais flexíveis. Porém, com menor remuneração e estabilidade.
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