
O percentual de famílias brasileiras endividadas alcançou 80,4% em março, maior nível da série histórica da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC).
Divulgado nesta terça-feira (7), o índice cresceu 0,2 ponto percentual em relação a fevereiro, quando 80,2% das famílias estavam nessa situação. Na comparação com março do ano passado, quando a taxa era de 77,1%, houve aumento de 3,3 pontos percentuais.
A CNC afirmou que os números acendem um alerta para os próximos meses, especialmente diante dos efeitos do conflito no Oriente Médio e do impacto da alta do petróleo sobre o bolso do consumidor. Nesse cenário, o governo planeja adotar medidas para auxiliar as famílias endividadas.
“O cenário já é reconhecido pelo governo federal como um problema que precisa de solução imediata, enquanto a CNC destaca que o endividamento continuará avançando até os efeitos da flexibilização da política monetária chegarem efetivamente ao consumidor final”, diz, em nota, a entidade.
O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central do Brasil (BC) reduziu, em março, a taxa básica de juros do país, a Selic, de 15% para 14,75% ao ano. A mudança, no entanto, leva meses para gerar efeitos na economia. Além disso, a taxa permanece em patamar elevado, o que encarece o custo do crédito e tende a aumentar o endividamento das famílias.
“A elevada taxa Selic é, há meses, um desafio para quem empreende e para quem consome”, afirma José Roberto Tadros, presidente do Sistema CNC-Sesc-Senac.
“A redução gradativa dos juros começou, mas ainda vemos um aumento do nível de famílias endividadas, pois levaremos meses até que o alívio do aperto monetário faça efeito”, completa.
Em nota, a CNC declarou que, além dos juros elevados, a alta dos preços do diesel e de outros combustíveis tem ampliado as incertezas sobre a inflação.
O encarecimento do transporte eleva os custos das empresas, que tendem a repassar esses aumentos aos preços, afirmou a entidade. Com isso, há diminuição do poder de compra e maior uso de crédito pelas famílias para despesas básicas, acrescentou.
Governo quer socorrer endividados
Depois do pacote para combater os efeitos da guerra no Oriente Médio no Brasil, o governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) quer apoiar os brasileiros endividados reunindo todas as dívidas das pessoas físicas em uma só.
Conforme noticiou o blog do Valdo Cruz, Lula e o ministro da Fazenda, Dario Durigan, se reuniram na manhã desta terça-feira para definir quais serão as medidas adotadas na nova proposta de refinanciamento das dívidas de brasileiros.
A ideia é reunir a dívida do cartão de crédito, crédito pessoal e outras em um único débito e trocá-las por uma nova dívida, com juros mais baixos e desconto no principal que pode chegar, em alguns casos, a 80%.
Segundo o blog, Lula estabeleceu como prioridades neste início de ano:
- reagir aos impactos da guerra no Irã para amenizar o aumento da inflação no Brasil;
- e fazer um novo programa de refinanciamento de dívidas dos brasileiros.
O presidente tem dito que as pessoas estão reclamando que, no final do mês, as dívidas estão consumindo praticamente toda sua renda.
Como deverá ser a proposta
Além de unificar as dívidas em uma só, todo o processo de renegociação será feito diretamente com os bancos, para torná-lo mais rápido.
Os bancos, para refinanciar e conceder descontos no principal da dívida, vão receber recursos possivelmente do Fundo de Garantia de Operações. Se as dívidas refinanciadas não forem pagas, os bancos terão garantia de que vão receber os valores refinanciados.
O programa de refinanciamento de dívidas deverá ter como público-alvo quem ganha até três salários mínimos.


