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Lista do trabalho escravo cresce 6,28% e passa a reunir mais de 600 nomes

Com a inclusão de 169 novos nomes, o Governo Federal atualizou, nesta segunda-feira (06/04), a chamada “lista suja” do trabalho escravo. O cadastro reúne empregadores flagrados submetendo trabalhadores a condições análogas à escravidão. Ao todo, a relação passa a contar com cerca de 613 registros.

Desse total recém-incluído, 102 correspondem a pessoas físicas e 67 a pessoas jurídicas, representando um aumento de 6,28% em comparação à atualização anterior. Paralelamente, 225 empregadores foram excluídos por terem cumprido o prazo de permanência e regularizado suas pendências.

Publicada semestralmente pelo Ministério do Trabalho, a lista tem caráter público e busca dar transparência às ações de fiscalização. A entrada de nomes ocorre apenas após a conclusão de processo administrativo, sem possibilidade de recurso, e a permanência costuma ser de dois anos, embora novas regras permitam exceções.

Lista do trabalho escravo cresce 6,28% e passa a reunir mais de 600 nomes
Foto: Shutterstock

Referentes a ocorrências registradas entre 2020 e 2025, os casos abrangem 22 unidades da Federação. Minas Gerais concentra o maior número de empregadores incluídos, com 35 registros, seguido por São Paulo (20), Bahia (17), Paraíba (17) e Pernambuco (13). O Ceará possui um nome incluído no cadastro. As ações resultaram no resgate de 2.247 trabalhadores.

Entre os setores com maior incidência, se destacam os serviços domésticos, com 23 casos, além da criação de bovinos para corte (18), cultivo de café (12), construção de edifícios (10) e atividades relacionadas ao preparo de terreno, cultivo e colheita (6). Chamam atenção na atualização nomes conhecidos do público, como o cantor Amado Batista e a montadora chinesa BYD.

BYD

No caso da empresa, a inclusão decorre de operação realizada em dezembro de 2024, que resgatou 220 trabalhadores chineses na construção de uma fábrica em Camaçari, na Região Metropolitana de Salvador. As autoridades identificaram condições precárias de alojamento, vigilância armada, restrição de circulação e retenção de passaportes, além de contratos com jornadas exaustivas e ausência de descanso semanal.

Diante das irregularidades, a empresa informou, à época, que os problemas estavam relacionados à construtora terceirizada Jinjiang Construction Brazil Ltda, cujo contrato foi encerrado. Parte dos trabalhadores foi transferida para hotéis, e, posteriormente, o Ministério Público do Trabalho da Bahia firmou acordo de R$ 40 milhões com a montadora e empreiteiras envolvidas, em ação que também tratou de tráfico de pessoas.

Amado Batista

Já em relação ao cantor, a inclusão se baseia em duas autuações registradas em 2024, em propriedades situadas em Goianápolis (GO), envolvendo 14 trabalhadores. A assessoria do artista contesta as informações e afirma que não houve resgate.

De acordo com a defesa, uma fiscalização identificou irregularidades na contratação de quatro trabalhadores vinculados a uma empresa terceirizada, em uma fazenda arrendada. O posicionamento aponta que foi firmado Termo de Ajuste de Conduta (TAC) e que todas as obrigações foram cumpridas, além de destacar melhorias já realizadas nas propriedades.

Denúncias

Por fim, denúncias podem ser feitas de forma anônima por meio do Sistema Ipê, plataforma lançada em 2020 em parceria com a Organização Internacional do Trabalho. Através dela pode ser feito o envio de informações para subsidiar ações de fiscalização.

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