
Na política, o roteiro costuma se repetir e o que muda são apenas os personagens. No Ceará, a atual disputa interna do Partido Liberal (PL) por uma vaga ao Senado escancara esse padrão. O embate ganhou novos contornos após a vereadora Priscila Costa reagir publicamente a um vídeo em que lideranças da sigla demonstram apoio ao nome de Alcides Fernandes.
Ao reafirmar sua pré-candidatura, Priscila destacou que seu projeto se baseia no apoio popular e no desempenho eleitoral recente, saltando de 22 mil votos em 2020 para mais de 30 mil em 2024, em vez de depender estritamente das estruturas partidárias.
Embora Priscila conte com o respaldo de nomes nacionais do partido, ela enfrenta um cenário adverso internamente. Alcides Fernandes possui o apoio direto das lideranças locais e um alinhamento estreito com a estratégia do atual presidente estadual do PL, André Fernandes, que busca consolidar sua hegemonia no campo da direita cearense.
Esse cenário é o resultado colateral do próprio crescimento da sigla: entre 2018 e 2022, sob a gestão de Acilon Gonçalves, o PL tinha um perfil regional e pragmático, sem grandes conflitos por cargos majoritários. No entanto, a partir da guinada ideológica iniciada por Carmelo Neto em 2023 e agora intensificada por André Fernandes, o partido tornou-se um celeiro de lideranças competitivas, tornando a disputa por espaço inevitável e pública.
O pano de fundo dessa queda de braço envolve, sobretudo, as alianças para o Governo do Estado. A ala ligada a Alcides Fernandes parece pavimentar uma aproximação estratégica com Ciro Gomes, que já sinalizou preferência pelo seu nome.
Esse movimento visa atrair o apoio do PL para a candidatura de Ciro ao Executivo. Por outro lado, Priscila Costa representa o grupo que prefere manter a fidelidade ideológica ao lado de Eduardo Girão na corrida pelo governo estadual.
Caso esse impasse não seja resolvido e o PL decida lançar duas candidaturas ao Senado para acomodar ambos os nomes, o cenário para Capitão Wagner presidente do União Progressitas, fica nebuloso.
Com o eleitorado de direita tendo duas opções dentro do próprio PL para preencher as duas vagas disponíveis em 2026, a candidatura de Wagner corre o risco de ser empurrada para o segundo plano.
Sem o suporte da máquina partidária do PL e enfrentando a divisão de votos no seu principal nicho, Wagner teria o desafio de viabilizar sua eleição em um cenário onde o protagonismo da oposição está sendo disputado palmo a palmo dentro dos muros do Partido Liberal.


