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Cerca de 30 mil crianças nascem com cardiopatia congênita por ano no Brasil

O Brasil registra cerca de 30 mil nascimentos de crianças com cardiopatia congênita a cada ano, conforme dados do Ministério da Saúde. Neste sábado (12/06), quando é celebrado o Dia Nacional de Conscientização sobre a Cardiopatia Congênita, especialistas chamam atenção para a importância do diagnóstico precoce e do tratamento adequado para ampliar as chances de sobrevivência e melhorar a qualidade de vida dos pacientes.

Caracterizada por alterações na estrutura do coração ainda durante a gestação, a cardiopatia congênita figura entre as principais causas de mortalidade infantil associada a malformações. Em nível mundial, a estimativa é de que aproximadamente 1% dos bebês nascidos vivos apresentem algum tipo da condição, sendo que cerca de 30% deles necessitam de acompanhamento e cuidados especializados nos primeiros anos de vida.

Na avaliação da coordenadora da Divisão de Cardiologia da Criança e do Adolescente do Instituto Nacional de Cardiologia (INC), Renata Mattos, o acesso ao diagnóstico tem avançado no país. No entanto, ainda existem diferenças entre as regiões brasileiras.

Cerca de 30 mil crianças nascem com cardiopatia congênita por ano no Brasil
Foto: Reprodução

Para a especialista, a ampliação da oferta de exames e tratamentos tem contribuído para que mais crianças sejam identificadas e encaminhadas precocemente para acompanhamento médico. “Aqui, na Região Sudeste, a gente tem mais acesso do que na Região Norte, por exemplo. Mas, de forma geral, a gente vê que o diagnóstico está sendo feito e o acesso ao tratamento está cada vez melhor”, avalia.

De forma geral, a cardiopatia congênita reúne diferentes doenças que surgem durante a formação do coração do bebê no útero. As alterações podem variar de quadros simples a casos que exigem intervenções logo após o nascimento.

Quando a anomalia é detectada ainda na gravidez, o principal benefício do diagnóstico é possibilitar o planejamento do parto e dos cuidados que serão necessários nos primeiros dias de vida da criança. Em situações específicas, procedimentos podem ser realizados ainda durante a gestação, embora essa indicação seja considerada rara.

Nos casos mais graves, o nascimento precisa ocorrer em hospitais preparados para atendimento especializado, com unidades de terapia intensiva neonatal e equipes capacitadas para realizar cirurgias ou cateterismos. Já as cardiopatias menos complexas costumam permitir que a gestação siga conforme o planejamento inicial.

Como identificar?

Entre os sinais que podem indicar a presença da doença após o nascimento estão a dificuldade para ganhar peso, cansaço durante as mamadas, respiração acelerada e episódios frequentes de fadiga. Esses sintomas devem ser observados durante o acompanhamento pediátrico.

Cerca de 30 mil crianças nascem com cardiopatia congênita por ano no Brasil
Foto: Divulgação

Outro indicativo que merece atenção é a coloração arroxeada nos lábios e na ponta do nariz, situação que pode estar relacionada à baixa oxigenação do sangue. Em crianças mais velhas, dores no peito e sensação de palpitação também podem representar sinais de alterações cardíacas.

Tratamento

Apesar dos desafios impostos pela condição, especialistas ressaltam que o tratamento adequado tem permitido que pacientes com cardiopatia congênita levem uma vida próxima da normalidade. Dependendo do caso, apenas uma intervenção é suficiente para corrigir o problema, enquanto outros pacientes precisam de mais de um procedimento ao longo da vida.

Atualmente, o aumento da sobrevida tem possibilitado que essas crianças alcancem a idade adulta, ingressem no mercado de trabalho, pratiquem atividades físicas e constituam família, desde que mantenham acompanhamento médico regular. Por meio do Sistema Único de Saúde (SUS), pacientes com a condição têm acesso a uma linha de cuidado que inclui exames durante a gestação, acompanhamento especializado e procedimentos de alta complexidade.

Entre as principais estratégias adotadas pela rede pública estão o ecocardiograma fetal, recomendado entre a 24ª e a 28ª semana de gestação para identificação precoce de anomalias cardíacas, e o Teste do Coraçãozinho, realizado ainda na maternidade para detectar cardiopatias críticas nos recém-nascidos. Após a confirmação do diagnóstico, os pacientes são encaminhados para serviços especializados, onde podem receber tratamento clínico ou cirúrgico de forma integral e gratuita pelo SUS.

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