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Fortaleza inicia novo teste contra câncer do colo do útero

Foto: Fábio Lima

Fortaleza começou, na manhã desta segunda-feira, 15, a implantação do novo teste de biologia molecular para a identificação precoce do DNA do papilomavírus humano (HPV), principal responsável pelo câncer de colo do útero.

O Ministério da Saúde (MS) enviou para a capital cearense 12,5 mil kits de testes de biologia molecular DNA-HPV, incluindo 500 unidades para autocoleta, que modernizam o rastreamento do vírus. Os 500 kits de autoteste serão direcionados para grupos que não conseguem se deslocar com facilidade até uma unidade de saúde. Isso inclui pessoas em situação de rua e pacientes com doenças específicas ou condições especiais que dificultem a ida ao posto.

A iniciativa busca ampliar a prevenção do câncer do colo do útero. O público-alvo dos novos testes são mulheres, na faixa etária de 25 a 64 anos. Fortaleza possui uma população estimada de 457.291 pessoas, que integram o público-alvo. A secretária municipal de Saúde de Fortaleza, Riane Azevedo, participou do lançamento do novo exame no posto de saúde Dr. José Iraguassu Teixeira (Floresta) e informou:

“De início são 12.500 testes que nós vamos utilizar e ao finalizar (essa quantidade) nós já vamos fazer nova solicitação ao Ministério da Saúde”.

A Secretaria de Saúde de Fortaleza pretende realizar a cobertura de todas essas mulheres no prazo de cinco anos, que é o intervalo considerado seguro para repetir o teste caso o resultado seja negativo. Conforme a Prefeitura de Fortaleza, a oferta dos testes nas unidades de saúde acontecerá de forma gradual em todos os 134 postos da Capital em aproximadamente 60 dias. A inovação do serviço preventivo começou por dois postos de saúde: Dr. José Iraguassu Teixeira (Floresta), no bairro Álvaro Weyne, e Waldo Pessoa, no Barroso, na capital cearense.

As unidades básicas de saúde (UBS) realizarão os exames na população de seus respectivos territórios. A próxima UBS a disponibilizar o teste será o posto de saúde Pedro Celestino, no bairro Maraponga. O que diferencia o novo teste do exame preventivo tradicional? A secretária municipal de Saúde de Fortaleza, Riane Azevedo, disse que a inovação representa um importante avanço na detecção precoce da doença.

“Esse teste de DNA é muito mais inovador, porque mexe com biologia molecular e prevê a doença antes dela se instalar. Essa detecção precoce tem especificidade muito grande, então ele consegue fazer a detecção de de subtipos deste vírus que ocasionam o câncer de colo”, afirma.

O teste de biologia molecular DNA-HPV identifica diretamente a presença do vírus e subtipos, entre os mais de 200 já conhecidos, incluindo os tipos 16 e 18, considerados os mais agressivos e associados ao desenvolvimento do câncer do colo do útero. Diferentemente do exame preventivo tradicional, esse teste possui 99% de precisão e permite que pacientes com resultados negativos aguardem até cinco anos para a próxima testagem. O exame ginecológico tradicionalmente realizado pelas mulheres é o Papanicolau, que é um teste de citologia feito para coletar amostras de células do colo do útero. Esse exame focado em rastrear lesões que possam evoluir para o câncer e identificar infecções é popularmente chamado de prevenção. Quando necessário, os casos seguem para investigação complementar, conforme protocolo clínico. Nesse método, o rastreamento deve ser repetido a cada três anos. No período de janeiro a abril de 2026, foram realizados 22 mil exames citopatológicos nos postos de saúde da Capital. Em 2025, mais de 100 mil exames foram realizados ao longo do ano.

A nova estratégia concentra esforços na prevenção antes da instalação da doença, contando com treinamento de equipes de enfermagem para ampliar o serviço e com busca ativa de pacientes com idades de 25 a 64 anos, que não tenham feito prevenção nos últimos três anos.

“O Papanicolau deve ser feito todo ano, para ver como é que está a situação do colo do útero. O teste do DNA, do HPV, a paciente faz uma vez e se ele der negativo, ela pode ficar 5 anos sem fazer esse teste”, informou Riane.

Para Riane, a inovação representa também uma melhora para o sistema público, em razão da possibilidade de “direcionar mais as ações relacionadas ao tratamento do câncer de colo do útero naquelas pessoas em que o vírus já foi detectado”. “E trabalhar de forma preventiva mais amena para as pacientes que não apresentaram (o vírus), porque vão estar cobertas durante 5 anos por esse teste”, acrescentou. Segundo a secretaria, o objetivo é consolidar uma linha de cuidado completa, garantindo encaminhamento imediato para tratamentos cirúrgicos ou acompanhamento especializado caso o vírus seja detectado.

Com a chegada do teste molecular, a expectativa é ampliar a capacidade de identificação das pessoas com maior risco de desenvolver a doença e qualificar o acompanhamento dos casos. Busca ativa de pessoas aptas à realização do teste. A distribuição do novo rastreamento considerará a quantidade de testes recebidos e a busca ativa de mais de 150 mil pessoas aptas a realizar o exame. Por meio da estratégia de busca ativa, os agentes de saúde procuram os integrantes do público-alvo que nunca passaram por esse tipo de teste ou que não fazem o exame citopatológico há mais de três anos. A secretária explicou que a busca ativa é uma estratégia fundamental porque muitas vezes as mulheres esquecem ou passam muito tempo sem ir ao médico para realizar exames preventivos.

“No lugar da gente esperar que elas venham, a gente está primeiro pegando aquelas pacientes que estão há mais de 2 anos ou 3 anos, sem comparecerem para fazer um exame de prevenção e estamos convocando essas pacientes”, falou Riane. Micaele Silva, 30, é uma das mulheres que compareceu à unidade de saúde para realizar o novo teste de HPV no Dr. José Iraguassu Teixeira (Floresta), motivada por uma busca ativa.

Essa era a primeira experiência de Micaele realizando um exame preventivo de colo de útero. Ela tem um filho, mas nunca havia passado pelo procedimento antes.

“Eu recebi um chamado do agente de saúde em casa. Ele falou que precisava vir, aí eu consegui vir dessa vez. Essa é minha primeira vez. Estou tranquila, mas a gente sempre tem um medinho no fundo”, comentou Micaele, enquanto aguardava atendimento.

A autônoma Ercília Ávila Silva, 59, também realizou o novo teste no posto Floresta e relatou que o procedimento de coleta é idêntico ao que ela já havia feito em outras ocasiões (“a mesma coisa”), sem causar dor. Ela não realizava o exame preventivo há mais de três anos, mas foi ao posto de saúde “por conta própria”, e sua visita coincidiu com o lançamento do novo teste.

“O exame é a mesma coisa que eu fiz todas as outras vezes. Explicaram que mudou, que agora é um exame que detecta se a pessoa tem câncer ou não. Toda mulher deveria fazer, porque se já era bom, agora melhorou mais e é melhor fazer agora”, completou Ercília.

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