Crianças apresentam maior risco de desenvolver quadros graves após picadas de escorpião, segundo a especialista da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), Joelma Gonçalves Martin. A diferença está relacionada à menor massa corporal, que faz com que a concentração do veneno no organismo seja maior em comparação com adultos.
De acordo com Joelma, o veneno do escorpião possui toxinas que atuam no sistema nervoso e podem provocar alterações cardiovasculares e neurológicas. Entre os efeitos estão ataque cardíaco, hipertensão, edema agudo de pulmão e alterações no funcionamento do sistema nervoso.
A especialista explica que os sintomas podem incluir taquicardia, sudorese, alterações na pressão arterial, convulsões, agitação psicomotora, sonolência, redução da resposta neurológica, bradicardia, dor abdominal e falta de ar. A intensidade do quadro depende da quantidade de veneno inoculada e da idade da vítima.

Apesar de a marca da picada geralmente ser pouco visível, a dor intensa é um dos principais sinais do acidente. Nesses casos, a recomendação é buscar atendimento médico com rapidez, principalmente nos casos envolvendo crianças, idosos e pessoas imunodeprimidas.
“É um veneno extremamente agressivo. A criança é picada, recebe a mesma quantidade de veneno que um adulto receberia, mas nela o veneno se distribui por um organismo que tem um peso corporal menor. Então isso vai resultar numa dose de toxina por quilo de peso maior nas crianças, do que no adulto”, explica.
O Centro de Informação e Assistência Toxicológica orienta que o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu 192) e o Corpo de Bombeiros (193) podem ser acionados para encaminhar vítimas aos hospitais de referência para atendimento com soroterapia. A lista dessas unidades é mantida pelas secretarias estaduais de Saúde.
Orientações
Até a chegada ao serviço médico, as orientações são limpar o local da picada, manter o membro atingido elevado e utilizar analgésico por via oral, se necessário, para controle da dor. No entanto, vale destacar que as medidas não devem substituir ou atrasar a busca por atendimento especializado.

Para prevenir acidentes, especialistas recomendam verificar calçados e roupas antes do uso, evitar o acúmulo de materiais de construção, resíduos e entulhos, além de manter ralos, pias e outros possíveis pontos de entrada vedados. O Ministério da Saúde também orienta afastar camas e berços das paredes e evitar que roupas de cama, mosquiteiros e outros tecidos permaneçam em contato com o chão.
Em caso de identificação de escorpiões, a recomendação é comunicar a vigilância ambiental. A pediatra alerta ainda que os escorpiões podem se reproduzir por partenogênese, processo em que a fêmea gera filhotes sem a necessidade de fecundação. Por isso, a presença de um animal pode indicar a existência de outros exemplares no mesmo ambiente.
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