A disputa internacional por minerais críticos e terras raras foi tema de uma reunião do Governo Federal nesta sexta-feira (10/07), no Palácio do Planalto. Durante o encontro, o presidente Lula (PT) afirmou que o Brasil tem potencial para se tornar um dos países relevantes nesse mercado e disse que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, deveria considerar a participação brasileira no setor.
Segundo Lula, o país pode avançar para além da exportação de recursos naturais e desenvolver uma cadeia produtiva com maior participação tecnológica. A declaração foi feita ao comentar a preocupação norte-americana com a dependência da China no fornecimento de minerais estratégicos.
“Se o Trump está preocupado com a China, pode começar a se preocupar com o Brasil, que nós vamos ser detentor de fazer as mesmas coisas, ou mais qualificadas, que o chinês faz. Nós não queremos ser vendedor de matéria-prima, nós queremos ser exportador de inteligência, de conhecimento”, afirmou Lula.

O mercado de minerais críticos tem ganhado importância diante do movimento de grandes economias para reduzir a dependência chinesa. A China concentra atualmente grande parte das etapas de processamento e refino das terras raras, materiais utilizados na fabricação de ímãs permanentes, turbinas eólicas, veículos elétricos, equipamentos eletrônicos, sistemas de defesa e tecnologias de alto desempenho.
Mesmo com uma das maiores reservas mundiais desses recursos, o Brasil ainda possui uma participação reduzida na cadeia global, principalmente nas fases que geram maior valor econômico. O país conta atualmente com apenas um projeto em operação comercial, enquanto outras iniciativas permanecem em etapas de pesquisa, licenciamento, desenvolvimento tecnológico ou busca por investimentos.
A criação de uma política nacional voltada aos minerais críticos e estratégicos está entre os debates conduzidos pelo Governo Federal. A discussão ganhou força após a aprovação, pela Câmara dos Deputados, de um projeto que prevê a criação de um conselho ligado à presidência da República para definir prioridades, acompanhar empreendimentos e estabelecer medidas para ampliar o processamento nacional.
O desafio para o governo é estabelecer o equilíbrio entre a atuação do Estado e a atração de investimentos privados. A intenção é estimular a transformação dos recursos minerais dentro do país, evitando que o Brasil permaneça apenas como fornecedor de matéria-prima, sem criar obstáculos para projetos em desenvolvimento.
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