A disputa por uma vaga na final da Copa do Mundo de 2026 colocará frente a frente, nesta quarta-feira (15/07), Argentina e Inglaterra, em Atlanta, nos Estados Unidos. Mais do que uma semifinal, o confronto reúne duas seleções que construíram, ao longo das décadas, uma das rivalidades mais marcantes da história do futebol, alimentada por episódios esportivos e também por um conflito militar.

Os países já se enfrentaram cinco vezes em Copas do Mundo. O primeiro encontro aconteceu em 1962, no Chile, quando a Inglaterra venceu por 3 a 1 e eliminou a Argentina ainda na fase de grupos. Os ingleses avançaram ao mata-mata, mas foram superados pelo Brasil nas quartas de final. Quatro anos depois, na Copa disputada em solo inglês, as seleções voltaram a se encontrar, desta vez nas quartas de final.
A vitória por 1 a 0 dos anfitriões ficou marcada por um episódio que mudaria a história do futebol. O capitão argentino Antonio Rattín foi expulso pelo árbitro alemão Rudolf Kreitlein após uma sequência de reclamações e, sem compreender a decisão por causa da barreira do idioma, se recusou a deixar o gramado. A situação só foi encerrada com a intervenção da polícia.
O episódio impulsionou a criação dos cartões amarelo e vermelho, adotados oficialmente na Copa de 1970, no México, para tornar mais claras as decisões da arbitragem. Naquele Mundial de 1966, a Inglaterra conquistou o único título mundial de sua história.
Conflito militar

A rivalidade entre as duas nações extrapolou os gramados em 1982, quando Argentina e Reino Unido travaram a Guerra das Malvinas. O conflito, motivado pela disputa das ilhas localizadas no Atlântico Sul e reivindicadas pelos argentinos, ocorreu entre abril e junho daquele ano, durante a ditadura militar comandada por Leopoldo Galtieri e o governo da primeira-ministra britânica Margaret Thatcher. A vitória ficou com o Reino Unido e a guerra terminou com 904 mortos, sendo 649 argentinos.
Retorno ao esporte
Quatro anos depois, o destino colocou novamente as seleções frente a frente, em uma partida considerada uma das mais emblemáticas da história dos Mundiais. Nas quartas de final da Copa de 1986, no México, a Argentina venceu por 2 a 1 com dois gols de Diego Maradona. O primeiro entrou para a história como o gol da “Mão de Deus”, marcado com a mão sem que a arbitragem percebesse.
Na sequência, o camisa 10 argentino driblou metade da equipe inglesa antes de balançar as redes, em um lance eleito pela Fifa, em votação realizada em 2002, como o maior gol da história das Copas. A Argentina seguiu até conquistar o bicampeonato mundial.
O reencontro seguinte ocorreu nas oitavas de final da Copa de 1998, na França. Após empate por 2 a 2 no tempo regulamentar, os argentinos avançaram nos pênaltis. A partida também ficou marcada pela expulsão de David Beckham após um desentendimento com Diego Simeone, além do golaço de Michael Owen, escolhido o segundo mais bonito da história das Copas na mesma votação promovida pela Fifa em 2002. A campanha argentina terminou nas quartas de final, diante da Holanda.

Na Copa de 2002, disputada no Japão e na Coreia do Sul, Inglaterra e Argentina voltaram a se enfrentar, desta vez pela fase de grupos. Os ingleses venceram por 1 a 0 com um gol de pênalti convertido por Beckham, protagonista da eliminação sofrida quatro anos antes. O resultado garantiu a classificação da Inglaterra e eliminou precocemente a Argentina, apontada como uma das favoritas ao título. Os ingleses avançaram até as quartas de final, quando foram derrotados pelo Brasil, campeão daquela edição.
O último encontro entre as seleções em Copas aconteceu justamente em 2002. Depois disso, os países se enfrentaram apenas uma vez, em amistoso disputado em 2005, com vitória inglesa por 3 a 2. Desde então, Lionel Messi nunca cruzou o caminho da Inglaterra defendendo a Seleção Argentina, tornando os ingleses a única campeã mundial que o camisa 10 jamais enfrentou pelo time principal.
Apesar disso, o futebol inglês está presente no elenco argentino que disputa a Copa de 2026. Cinco titulares atuam na Premier League: o goleiro Emiliano Martínez, do Aston Villa; os zagueiros Lisandro Martínez, do Manchester United, e Cristian “Cuti” Romero, do Tottenham; além dos meio-campistas Enzo Fernández, do Chelsea, e Alexis Mac Allister, do Liverpool.
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