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A volta de Cid ao jogo

Cid Gomes, Elmano de Freitas, Lula e Júnior Mano em Brasilia para formalizar a chapa ao Senado

 

Cid Gomes parecia ter encerrado sua trajetória eleitoral.

Depois de repetir que não disputaria mais eleições, o senador voltou ao centro da política cearense. E o movimento teve um articulador principal: o presidente Lula.

A poucos meses da disputa eleitoral, a chapa governista começa a ganhar forma. Cid será candidato à reeleição para o Senado, com Júnior Mano na primeira suplência, mantendo o PSB dentro do projeto liderado pelo governador Elmano de Freitas.

A decisão já vinha sendo construída nos bastidores, mas ganhou um capítulo decisivo após a conversa entre Cid e Lula, no Palácio da Alvorada. Segundo o próprio senador, o presidente fez um apelo para que ele permanecesse na disputa. “Sou um soldado do partido”, afirmou.

A entrada de Lula na articulação mostra que a eleição cearense passou a ter importância nacional. O presidente busca fortalecer sua base no Senado e enxergou em Cid um nome estratégico pela trajetória política e capacidade de articulação.

A foto publicada por Elmano, ao lado de Lula, Cid Gomes e Júnior Mano, confirmou uma aliança que vinha sendo costurada há meses.

Mas o desenho da chapa ainda não está completo.

A vaga de vice-governador segue em aberto. O nome mais cotado é o de Domingos Filho, presidente estadual do PSD, terceira maior força política do Ceará. A escolha reforçaria a participação do partido na aliança governista.

Já a segunda vaga ao Senado virou o principal ponto de debate dentro da base. Luizianne Lins aparece como um nome em evidência, com a possibilidade de ter a ex-governadora Izolda Cela como suplente. Eunício Oliveira continua no cenário, mas a internação para tratar uma anemia trouxe dúvidas sobre sua participação na disputa.

Do outro lado, a volta de Cid também muda a equação da oposição. Ciro Gomes deve liderar o campo adversário e terá pela frente não apenas uma aliança política, mas o próprio grupo que ajudou a construir no Ceará.

Durante anos, Ciro esteve ao lado de Cid, Camilo Santana e outros nomes que formaram uma das maiores forças políticas do Estado.

Agora, os caminhos se separam. Ciro deve buscar uma aliança ampla, reunindo diferentes setores da oposição, inclusive grupos ligados ao bolsonarismo.

A disputa de 2026 revela uma das maiores contradições da política: a capacidade de unir antigos adversários e, ao mesmo tempo, separar aliados históricos e até famílias.

Cid e Ciro, irmãos e protagonistas de uma das trajetórias políticas mais importantes do Ceará, estarão em lados opostos em uma eleição que promete redefinir o futuro político do Estado.

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