Fortaleza e municípios da Região Metropolitana começaram a contar com um novo sistema de monitoramento da qualidade do ar desenvolvido pela Universidade Federal do Ceará (UFC). A iniciativa utiliza equipamentos capazes de medir a concentração de gases poluentes em áreas de grande circulação de veículos, com o objetivo de gerar dados para pesquisas sobre os impactos da poluição na saúde da população e subsidiar a elaboração de políticas públicas.
Um dos primeiros aparelhos já está em funcionamento na avenida Mister Hull, um dos principais corredores de tráfego da Capital. O equipamento monitora 19 parâmetros relacionados à qualidade do ar, identificando a presença de substâncias como óxidos de nitrogênio, monóxido de carbono e ozônio, poluentes associados a prejuízos à saúde humana e ao meio ambiente.
A coleta das informações integra um projeto do Departamento de Engenharia de Transportes da UFC, que busca ampliar o conhecimento sobre os efeitos da poluição atmosférica em regiões próximas a grandes infraestruturas de transporte. Os equipamentos foram desenvolvidos por pesquisadores da própria universidade e passam por etapas de montagem e validação em laboratório antes de serem instalados nos locais definidos para a pesquisa.

De acordo com a equipe responsável, o modelo portátil dos dispositivos facilita a ampliação da rede de monitoramento, permitindo sua instalação em diferentes cidades e em pontos considerados estratégicos. Ao todo, serão distribuídos 80 equipamentos entre Fortaleza, municípios da Região Metropolitana, Goiás e o Distrito Federal. Os aparelhos ficarão instalados em áreas próximas a rodovias, aeroportos e outras infraestruturas com intenso fluxo de veículos e elevada concentração populacional.
Além de registrar os níveis de poluentes, o estudo pretende analisar os efeitos da qualidade do ar sobre a saúde das pessoas que vivem nas regiões monitoradas. A pesquisa é realizada em parceria com a Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira (Unilab), que acompanhará indicadores relacionados às populações residentes no entorno dos pontos de monitoramento para avaliar os impactos da exposição contínua aos poluentes.
Os pesquisadores também vão levantar informações sobre as características das comunidades localizadas próximas aos equipamentos. O objetivo é identificar quais grupos estão mais vulneráveis aos efeitos da poluição atmosférica e quais fatores podem contribuir para ampliar essa exposição.

A coleta de dados será realizada ao longo de dois anos. Durante esse período, serão acompanhados tanto os níveis de poluentes registrados pelos equipamentos quanto os indicadores de saúde das populações residentes nas áreas monitoradas.
A expectativa é que os resultados sirvam de base para o planejamento de políticas públicas voltadas à melhoria da qualidade do ar, ao fortalecimento do monitoramento ambiental e à promoção da saúde da população.
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