A concessão das BRs 116 e 304 à iniciativa privada está prevista pelo Governo Federal e integra os projetos do Novo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). Os estudos são conduzidos pelos ministérios da Casa Civil e dos Transportes e abrangem toda a extensão das duas rodovias no Ceará, que juntas somam cerca de 640 quilômetros.
Ainda em fase inicial, os estudos devem ser concluídos apenas após 2026. Até lá, as demais rodovias federais que cortam o Ceará e não fazem parte do projeto de concessão seguem sob administração do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), com investimentos previstos no Plano Plurianual (PPA) e na Lei Orçamentária Anual (LOA).
O corredor rodoviário em análise foi dividido em dois lotes. Um deles reúne as BRs 101, 116 (até Boqueirão do Cesário) e 304, atravessando Ceará, Rio Grande do Norte e Paraíba. O outro contempla o trecho da BR-116 entre Boqueirão do Cesário e Salgueiro (PE), passando também pela Paraíba e Pernambuco.

Com pouco mais de 540 quilômetros em território cearense, a BR-116 tem início em Fortaleza, na rotatória da Avenida Aguanambi, e segue em direção ao Sul do Estado. Ao longo do percurso, cruza pelo menos 25 municípios, atravessa um trecho de 13,4 quilômetros na Paraíba e retorna ao Ceará antes de entrar em Pernambuco.
Partindo do entroncamento com a BR-116, em Boqueirão do Cesário, a BR-304 segue até Natal (RN). Dos 422 quilômetros de extensão da rodovia, cerca de 100 quilômetros estão no Ceará. As duas estradas contam com trechos duplicados: a BR-116 entre Fortaleza e Pacajus e a BR-304 no município de Aracati.
Também integra o projeto a BR-101, embora a rodovia não possua trechos em território cearense. O lote em estudo contempla a concessão do corredor formado pelas BRs 101, 116 e 304 entre Fortaleza e João Pessoa (PB).
Até o momento, o Governo Federal não detalhou quais obras serão executadas nas rodovias após a concessão. A expectativa é que a futura concessionária fique responsável pelos serviços de manutenção, conservação, sinalização e atendimento aos usuários, enquanto intervenções de maior porte, como duplicações e implantação de faixas adicionais, costumam ocorrer a partir do terceiro ano de contrato.
Se confirmada, a concessão marcará a primeira vez que rodovias federais no Ceará serão administradas pela iniciativa privada. Atualmente, nenhuma das 12 BRs que cruzam o Estado possui concessão parcial ou integral. A BR-222 chegou a ser analisada para esse modelo, mas ficou de fora dos projetos contemplados pelo Novo PAC.
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