
Os primeiros depoimentos de pessoas ligadas à investigação sobre a morte da policial militar Larissa Gomes da Silva, de 26 anos, começam a ser realizados nesta quinta-feira (30). A etapa representa um novo avanço na apuração conduzida pela Coordenadoria de Polícia Judiciária Militar e Disciplina, que busca esclarecer todos os detalhes do caso registrado em 3 de dezembro de 2025, no Eusébio, na Região Metropolitana de Fortaleza.
O caso é investigado como feminicídio. Nesta fase, a expectativa é reunir depoimentos que possam ajudar a esclarecer a dinâmica da ocorrência, incluindo a sequência dos fatos e a identificação de quem efetuou o primeiro disparo. As duas armas utilizadas pertenciam à Polícia Militar do Ceará, foram apreendidas no dia do crime e permanecem sendo periciadas durante a investigação.
Soldado é investigado por feminicídio contra companheira
O principal investigado é o soldado Joaquim Filho, companheiro de Larissa. Ele foi preso em 4 de dezembro de 2025, um dia após a morte da policial.
Segundo a Polícia Militar, o militar foi autuado pelos crimes de feminicídio e crime militar, já que a ocorrência envolveu dois policiais militares da ativa. Depois de receber alta hospitalar, Joaquim foi levado para a Coordenadoria de Polícia Judiciária Militar e Disciplina e, posteriormente, encaminhado ao Presídio Militar, onde permanece à disposição da Justiça.
Como ocorreu a morte da policial militar?
De acordo com as investigações, a discussão entre o casal começou quando Joaquim buscou Larissa no trabalho e continuou durante o trajeto até a Avenida Cícero Sá, no Eusébio.
Durante o desentendimento, os dois utilizaram armas da Polícia Militar. Larissa foi atingida por disparos no abdômen e no tórax. Joaquim sofreu um ferimento por tiro na perna e afirmou aos investigadores que o disparo teria sido efetuado por Larissa.
Os dois foram socorridos para a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do Eusébio. A morte da policial foi confirmada ainda na unidade de saúde. Joaquim foi encaminhado sob escolta policial ao Hospital Instituto Doutor José Frota (IJF), em Fortaleza.
Relatos apontam histórico de violência no relacionamento
Durante as investigações, familiares e pessoas próximas relataram que Larissa vivia um relacionamento marcado por episódios de violência.
Segundo esses relatos, a policial registrou em fotografias ferimentos provocados por agressões e enviou mensagens de áudio a uma amiga descrevendo situações de violência. Em um dos episódios, ela teria sido atingida com coronhadas na cabeça.
Familiares também afirmaram que Joaquim restringia o contato da companheira com amigos e com os três filhos que ela teve em um relacionamento anterior. A mãe da policial relatou aos investigadores que o militar apresentava comportamento agressivo.
Larissa e Joaquim mantinham um relacionamento havia cerca de quatro anos. Os dois se conheceram durante o curso de formação da Polícia Militar e permaneceram juntos desde então.
Quem era Larissa Gomes da Silva?
Larissa Gomes da Silva ingressou na Polícia Militar do Ceará em 22 de junho de 2022 e atuava na 1ª Companhia do 15º Batalhão.
Ela conciliava a rotina de serviço, marcada por escalas alternadas e atendimento de ocorrências, com os estudos voltados ao crescimento na carreira e os cuidados com os três filhos, de um relacionamento anterior.
Caso segue sob investigação
A Polícia Militar e a Coordenadoria de Polícia Judiciária Militar e Disciplina continuam investigando o caso para esclarecer todas as circunstâncias da morte de Larissa Gomes da Silva.
Com o início das oitivas nesta quinta-feira (30), a investigação entra em uma nova etapa, na qual os depoimentos de pessoas ligadas ao caso poderão contribuir para a reconstituição dos fatos e para o avanço das apurações sobre a dinâmica da ocorrência. O procedimento continua em andamento.
Denúncias para a polícia
A população pode contribuir com as investigações repassando informações que auxiliem os trabalhos policiais. As informações podem ser direcionadas para o número 181, o Disque-Denúncia da Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS), ou para o (85) 3101-0181, que é o número de WhatsApp, pelo qual podem ser feitas denúncias via mensagem, áudio, vídeo e fotografia ou ainda via “e-denúncia”, o site do serviço 181, por meio do endereço eletrônico: https://disquedenuncia181.sspds.ce.gov.br/.


